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Questões de Cultura e contemporaneidade: O olhar oblíquo de Bakhtin

Questões de Cultura e contemporaneidade: O olhar oblíquo de Bakhtin

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        “O olho vê. A memória revê. A imaginação transvê.” (Manoel de Barros) Um dos caminhos mais promissores dos estudos da linguagem é passear pelo que nos legou Mikhail Mikháilovich Bakhtin (1895-1975). Pensador, filósofo da linguagem, estudioso de literatura, precursor dos estudos linguísticos no século XX e também de uma metodologia para as Ciências Humanas, ou como prefere denominá-lo, o professor João Wanderley Geraldi, filósofo da cultura: Eu considero Bakhtin um filósofo, um nome da Filosofia e um nome dos Estudos Culturais.

        Assim como Bakhtin escreveu sobre Literatura, um trabalho sobre Dostoiévski, um trabalho sobre Rabelais, ele escreveu sobre Metodologia da Ciência e escreveu também sobre Estética. E Bakhtin escreveu sobre Linguagem. Então, não dá para dizer que Bakhtin seja um filósofo da linguagem, mas eu acho que ele está mais próximo da Filosofia da Cultura do que de qualquer outra coisa. Não dá para classificá-lo como crítico literário, embora os estudos de Bakhtin no Brasil tenham se iniciado precisamente na área de Literatura. (...). [GERALDI, no artigo UMA PALAVRA OUTRA SOBRE OS ESTUDOS DA LINGUAGEM NA CONTEMPORANEIDADE : uma conversa com João Wanderley Geraldi]

        As denominações, as ideologias, para Bakhtin sempre foram formas instáveis frente às intensas, variadas, irrefreáveis, irrepetíveis e dialógicas relações humanas; por isso seria anti-bakhtiniano pensar em denominá-lo, contudo torna-se didático identificá-lo como filósofo e pensador da cultura, o que ele é, por toda sua obra. Para um pensador que sempre colocou o homem frente a si mesmo em prol da humanidade, que defendeu uma ciência sujeito-sujeito, que colocou o texto como o material sígnico ideológico por excelência – “Onde não há texto, não há objeto de pesquisa e pensamento” (Bakhtin), partindo da palavra como arena mínima de embates ideológicos, e se posicionou com uma liberdade filosófica tão abrangente e ainda por ser definida, Bakhtin torna-se desde meados da década de 70 do último século uma das mentes teóricas mais perenes aos estudos do século XXI.

      O nosso Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso – GEGe – vem há quase uma década buscando trilhar atento pelo caminho que o filósofo russo nos legou; o trabalho tornou-se, como toda obra bakhtiniana, abrangente. Foram mais de duas centenas de artigos, com olhos oblíquos, publicados pelos membros do Grupo acerca do que escreveu Bakhtin e seu Círculo, e olhando a vida. E pela caminhada que fizemos até aqui, nada ficou tão nítido quanto a firmeza da luta por estudos que colocam o humano como centro das pesquisas, e mais principalmente em Ciências Humanas. Não nos agarramos primeiramente na estrutura exata, ou no sistema, ou nos signos isolados de seus contextos e relações, ou nos objetos objetivados – “as ciências exatas são uma forma monológica do saber: o intelecto contempla uma coisa e emite enunciado sobre ela.”(ibidem); palmilhamos com os objetos subjetivados pelos olhos enviesados de quem os faz experimento e também experiência; afinal, nasceu através de Bakhtin uma revolução, a que Augusto Ponzio (2008 [A Revolução Bakhtiniana]) chama de Humanismo da Alteridade ou, o próprio Bakhtin (2003 [Estética da Criação Verbal], p. 311) chamou de Humanística.

         Sendo que ao longo da obra Bakhtiniana não ficam isoladas a Alteridade e a Humanística, mas sempre em relação e intenso diálogo com a Cultura. Bakhtin chega a dizer que não se pode separar o texto do restante da cultura e correlacioná-lo imediatamente (passando por cima da cultura) com fatores socioeconômicos e outros. “Esses fatores agem sobre a cultura em sua integridade, e só através dela, e com ela sobre o texto, a literatura, as ciências humanas. O processo textual é parte inalienável do processo cultural” (ibidem). Sendo que o mundo em que esse processo se movimenta é o da Cultura (o da consciência cultural) que “é tão ilimitado quanto o universo” (Bakhtin, 2003, p. 376).

        Com isso “Questões de Cultura e Contemporaneidade – o olhar oblíquo de Bakhtin” tocou nossos olhos oblíquos e enviesados na busca por vazão ao que nos legou Bakhtin como caminho para passear e por estender aos estudos da linguagem, de discurso, de literatura, de tecnologias, de poética, de educação e filosofia. Talvez seja esse nosso legado, o novo lugar de partida a que chegamos com este livro: o de ter nos olhos um olhar bakhtinianamente enviesado que transvê. Essa é a nossa revolução: aprender a enviezar nossos olhares, a entortar nossa vida, de modo a nos colocarmos ao lado do que tem a força da mudança e não a força da manutenção, do que quer mudar e não daquele que quer manter.

       Por isso, prepara teus olhos! Que sejam oblíquos ao que te propões a ler, ver, rever e transver sobre questões de cultura e contemporaneidade.

       Fabrício César de Oliveira & Valdemir Miotello

Informações Adicionais

Autor Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso
Ano de Publicação 2011
Páginas 314
Tamanho 16 x 23 cm
ISBN 978-85-7993-083-6

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