Vozes da educação: pesquisas e escritas contemporâneas. PE642345
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Vozes da educação: pesquisas e escritas contemporâneas.

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Albertina Lima de Oliveira; Jenerton Arlan Schütz; Marco Antônio Franco do Amaral; Michelle Castro Lima (Organizadores) !@
Vozes da educação: pesquisas e escritas contemporâneas. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 375p.
ISBN 978-85-7993-662-3 (Ebook)
978-85-7993-663-0 (Impresso)
1. Estudos em Educação. 2. Pesquisas em educação. 3. Formação de professores. 4. Autores. I. Título.
CDD – 370

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PREFÁCIO



Ao nos denominarmos educadores, perpassamos cotidianamente a tênue membrana (se é que ainda existe) da redoma instituição escola, adentrando seu corpo físico, cruzando muros, portões e portas. Decorre (deveria ocorrer) a inexorável emergência da indagação: qual a minha função?

É fato que a resposta nasce da visão de mundo que carrego no meu inconsciente, de DNA cultural e, como síntese deste, do mundo que quero. Podemos dizer que as respostas são tantas quanto o multicolorido de um espetáculo pirotécnico. Há uma exacerbação de subjetivismos. Quais os mais adequados? E o que seria o adequado, o mais certo e o mais errado? O melhor mundo a ser desejado e elencar condizente engajamento para no futuro constituí-lo?

O mundo em que vivo, ou o papel que tenho no teatro da vida, a formação cultural e científica que tenho, ou seja, o enredo do teatro que me contaram, pontuando o ‘certo’ e o ‘errado’, compõem os ingredientes principais do meu pacote paradigmático. Mas será que entendo bem meu papel no teatro da vida ou somente assim me sinto por poder estar vivendo em considerável conforto? E qual a garantia de que meus formadores, nos âmbitos cultural e científico escolares tenham um DNA sem mutações e aberrações, e tenham contado-ensinado-mostrado fielmente o teatro até então decorrido, com suas mazelas e infernos resultantes? O conto foi parcial e incompleto (é natural), levando-me a cumprir tão somente o determinado, naturalizando o destino, a história.

Qual a minha função: a de reproduzir ou produzir algo projetado. Talvez o naturalizar da inexorabilidade, do niilismo, da metanarrativa do capitalismo, da incompreensão do darwinismo social. Essas são possibilidades de como podemos estar sendo ‘bem’ usados ao cumprir nossa função. Consequentemente, ao realizá-lo tenho a recompensa da autoestima do sistema que conscientemente e inconscientemente (escravizado) reproduzo.

E se este como vejo e como faço (paradigma) que me faz ser e fazer educador, fazer minha função, for mercantilista, ensinando-educando para uma nova e sutil subserviência em que nós próprios somos o maior exemplo como resultado e, portanto, o novo produto? Neste viés tão somente corroboraremos o que há séculos Marx evidenciou, ao dizer que o capitalismo não esgota apenas o trabalhador, esgota também o planeta.

Destarte, qual (deve ser) nossa (nova) agenda como educadores? Talvez devamos cada qual subir ao palco em busca de uma releitura do teatro passado; rever o certo e o errado e desnaturalizar a teleonomicidade da história; não somente desnudar o rei e revesti-lo feito camaleão, mas, sim, trocar de rei, cessando com a recorrente páscoa da Fênix. Os problemas são globais e a agenda deve sê-lo, como diz Gadotti, educar para a sustentabilidade, com formação crítica e não formação de mão-de-obra para o mercado.

Somente nesses termos, novos, é possível, como educadores, cumprirmos com o ato de renovar e salvar o mundo.

Permitir-se-á que, agora, ao levarmos os novos ao palco, os faremos conhecer um novo legado, com outro olhar (de que o até agora caminhado é contrário tanto ao histórico cultural como ao natural – o de uma história definida), a fim de que eles não sejam somente peças de reposição na grande máquina. Que compreendam a possibilidade e necessidade da naturalização de constantes e diferentes rearranjos, constituindo uma autopoiese da qual emerjam diferentes estruturas (novas culturas, novas sociedades, novos entes
políticos). Salvaguardaremos o explicitado arendtiano: renovar e salvar o mundo. A formação que desnaturalize o futuro por si só é contrária ao modelo determinista. Nutrir-se-á a semente da dialética e da coevolução.

Esse novo viés poderá lançar olhar e sinergia na manutenção da vida, da sustentabilidade, com outros certos e errados, fazendo perceber que não há nada determinista nem na história humana e tampouco na natureza, sendo o único destino a constante evolução e renovação. Perceber a constante evolução no âmbito social e cultural como único determinismo nos encaminhará a novos paradigmas que permitirão ver essa reprise na natureza e poderá levar-nos, antes de uma catástrofe global, a agir coerentemente.
Reiterando, a formação do educador e a capacidade de repensar a sua função, além de permitir um coerente ensinoeducação aos novos, reduzindo a intensificação dos ‘de fora’, salvará os primeiros, permitindo-lhes fazer história, renovando-a e realizando-se, como ainda farão história num contexto de sustentabilidade ou em busca dela, ao terem acesso a alfabetização condizente.

Sabermos escolher leituras e, antes de tudo, termos atores que as constituem, como as que seguem nesta produção, é indício alentador de mudança possível e necessária. Estaríamos no calvário descrito por Freire (1997), ao dizer que mudar o mundo é urgente, difícil e necessário. Mas para mudar o mundo é preciso conhecer, ler o mundo, entender o mundo, também cientificamente, não apenas emocionalmente, e, sobretudo, intervir nele, organizadamente. Boa leitura e boa intervenção.

Prof. Me. Lorival Inácio Rambo

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