RESISTIRMOS, A QUE SERÁ QUE SE DESTINA? PE100

RESISTIRMOS, A QUE SERÁ QUE SE DESTINA?

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Lucília Maria Abrahão e Sousa; Adonai Takeshi Ishimoto; Elaine Pereira Daróz; Dantielli Assumpção Garcia (Organizadores) !@
Resistirmos, a que será que se destina? São Carlos: Pedro & João Editores, 2018. 751p.
ISBN 978-85-7993-600-5
1. Movimentos de resistência. 2. Marielle presente. 3. Discursos da resistência. 4. Autores. I. Título.
CDD – 410

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O tempo presente, os homens presentes, a vida presente

 

 

“Estou preso à vida e olho meus companheiros

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças

Entre eles, considero a enorme realidade”

 

Escrever um texto de apresentação para este livro nos remete ao modo como o poema de Drummond ressoou e se fez presença no dia do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. Uma cena tamanha de violência no asfalto, um corpo falante na trama urbana que se apresenta explodido e caído no passeio público, uma mulher executada sumariamente por lutar pelos direitos negados à maioria: várias palavras foram lançadas ao vento em protestos dentro e fora do país que passaram a levantar bandeiras e atos (d)enunciando, não apenas o ranger das disputas de classe sociais, mas sobretudo o modo como os contornos de violência, tortura e extermínio passam a circular socialmente. Nas condições históricas atuais, os discursos de intolerância e ódio ganham corpo de espetacular modo e, não raro, escancaram o horror, apontando um real sem anteparo simbólico. Um esgarçamento dos laços sociais e do que é a base da civilização, um funcionamento perverso e cínico de desimplicar a violência de suas causas, um discurso com consistência tal a produzir efeitos de naturalidade e de homogênea espessura no banimento das diferenças. Consideramos que tudo isso precisa ser desautorizado, revirado, remexido e deslocado para outros lugares em que pese o respeito à alteridade, o direito à vida e o poético na língua.

A partir desse ponto de horror e da nossa aposta em outras discursividades, tomamos como mote a palavra resistência para fazê-la cirandar, girar e deslocar-se a partir dos estudos da Análise do Discurso francesa de Pêcheux e também dos trabalhos da psicanálise de Freud e Lacan. “Resistirmos, a que será que se destina?” tem como objetivo analisar, descrever e estudar, não os discursos mortíferos do preconceito e da morte, mas os movimentos de ruptura, reviravolta, revolta e rebeldia diante deles. Implicados pela via da pesquisa, da arte visual e da poesia, desejamos inscrever outros efeitos diante desse inominável que deixa oco o espaço em que as trocas simbólicas poderiam tecer algo do verdadeiramente humano na trama social. No lugar desse vazio cuja dor nos emudece e paralisa, colocamos a voz contundente e forte de pesquisadores, poetas e fotógrafos que sustentam, cada um a sua maneira e com sua pá-lavra, o pacto de dizer que outros sentidos são possíveis, desautorizando a evidência da força bruta para corrigir impasses de ordem social; e, com isso, o pacto de nutrir pequenas e “grandes esperanças” a partir da escuta do funcionamento de coletivos, atos, mobilizações, manifestos dispostos nas redes sociais e fora delas, em manifestações artísticas diversas e nas ruas tagalerantes de reivindicações. Ora, sabemos pela teoria que analisar discursivamente os espaços de discordância, denúncia, litígio e repúdio ao horror produz o reviramento dos sentidos tidos como naturais e dominantes, o que significa colocar em funcionamento outras palavras como, por exemplo, justiça, liberdade e direitos. Isso toma, na opacidade da língua, o político em jogo na trama da história, e os efeitos disso não são sem consequência. Eis o nosso quinhão de resistências.

Ao longo das cinco partes da obra que ora apresentamos, intervalam-se textos científicos, poemas e fotografias enfeixados por um eixo temático ou por uma entrada discursiva que julgamos perpassar, enlaçar e bordejar o conjunto. Na primeira parte, intitulada “O nome próprio que é um grito (de horror e) de luta”, reunimos os textos sobre Marielle Franco que analisam os efeitos de seu assassinato (ainda hoje sem responsáveis presos) e os desdobramentos deles em diferentes lugares sociais. As imagens e os poemas inscrevem um diálogo com os textos científicos em uma composição que faz continuar os efeitos de morte e luta em diferentes ecos.

Na segunda parte, cujo nome é “A rede por um fio discursivo, vozes entrelaçadas”, gira em torno das formas diversas de resistência nas redes sociais e/ou nos espaços digitais, materializando um dos pontos importantes das novas formas de militância, qual seja, o uso da tecnologia. Os atos públicos, as manifestações artísticas e as lutas de movimentos sociais hoje contam com celulares, câmeras digitais e transmissões online, funcionamento este que nos permite considerar a cibermilitância como uma discursividade em fluxo. Reúnem aqui estudos científicos sobre tal primado – implicados pelas noções de memória, arquivo e sujeito tal como a teoria discursiva propõe – em sequência com imagens que nos remetem a outras redes metafóricas bem como poemas que permitem antever fios, vozes e enlaces.

Na parte que se segue, denominada “Traços do feminino e(m) arquivos di-versos e de imagens”, estão presentes os textos que refletiram e colocaram em questão o sujeito mulher em suas diferentes formas de inscrição e contextos. No espaço da arte visual, literatura, teatro, ativismo de movimentos políticos e sociais, uma voz se configura hoje a colocar em circulação o protagonismo das mulheres e a pauta de suas reivindicações. As imagens e poemas marcam também os passos de movimentos de dizer por si mesma, ocupar posições antes silenciadas e instalar o maremoto onde antes parecia haver um mar de águas mansas.

Na quarta parte, ordenamos os capítulos, imagens e poemas em torno da discussão do político como o espaço tenso e convulsivo dos sentidos estarem em divisão e confronto. “A divisão dos sentidos, o político em discurso” marca um lugar bem caro à teoria discursiva, qual seja, aquele em que não há dominação sem resistência, dito de outro modo, há o primado da contradição na arena social e os combates derivados da divisão de classes sociais serão manifestos por dizeres em disputa e em-bates. Mostrar, descrever e analisar as feridas marcadas por eles (ou pelos vestígios de suas cicatrizes) nos obrigada a considerar a interpelação ideológica e as posições sujeito em jogo.

Na última parte, nomeada “Pela via do significante, algo insiste”, dedicamo-nos a reunir os textos verbo-visuais que tocam questões concernentes ao pensamento freudo-lacaniano, teorizando os modos de gozo, de laços e os furos concernentes à condição do falante, além de refletirem sobre o desejo do psicanalista, seu lugar e seu modo de resistir. Tais escritos terminam com um capítulo, cujas imagens transbordam e continuam a se amarrar, significar e abrir pontos de impressão e bordado no livro de gravuras de Glaucia Nagem, disposto no final dessa obra.

“Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas” é o que o poeta nos dá como pistas para seguir adiante em momentos sombrios. Está anotado, está selado, está feito, está aqui, Drummond! Nossa voz de mãos dadas, nossas mãos de escreventes, fotógrafos e poetas dadas umas às outras, nosso sim ao ato singular de invenção em enlace com o outro, nosso gesto tão necessário de não esmorecer, de continuar a dizer algo que possa fazer luz, de seguir adiante contando com que o tempo é nossa “matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”.

 

Os organizadores

 

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