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O ensino apostilado e suas frestas

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O ensino apostilado e suas frestas

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Prefácio

Luiza Cortesão

Universidade do Porto

 

No simbólico espaço que vai do professor transmissor de conhecimentos e executor de instruções que lhe são dadas ao professor ator empenhado no desenvolvimento dos alunos e, portanto, na intervenção socioeducativa, entre estes dois extremos, que significados se poderão identificar nas diferentes atuações dos professores, quando estes estão no exercício da sua profissão? Esta é uma interrogação que, como se sabe, poderá desencadear muitas respostas. De um modo muito redutor, seria possível representar esta diversidade num continuum em que, nos seus extremos estariam colocadas formas bem distintas de encarar a profissão. Num destes extremos, poderiam imaginar-se práticas em que os professores/as desenvolveriam a sua ação como qualquer outro profissional, atuando com maior ou menor preocupação de desempenhar, de modo competente o trabalho que lhes é atribuído, atuando tal como entendem que será seu dever fazê-lo. Seriam também praticadas por professores que olham a sua atuação simplesmente como uma forma de “ganhar a vida”. Realizam, então, frequentemente, o seu trabalho cumprindo regras que têm origem no centro do sistema educativo, não refletindo sobre os significados destas e, muito menos, não se interrogando sobre a legitimidade do poder que lhe indica como “deve” desenvolver a sua ação. Mas também, numa situação que, simbolicamente, seria possível colocar no extremo oposto do referido continuum, poderia imaginar-se a existência de práticas realizadas por professores inquietos que se vão dando conta dos problemas que, de forma mais ou menos explícita, borbulham no seu campo de atuação. Estes seriam os professores que procuram atuar de forma não só a tentar perceber o que se passa, mas também de tentar dar alguma resposta a problemas que enfrentam no quotidiano da sua ação. Para estes educadores, trabalhar em educação é geralmente concebido como algo de diferente de muitas outras profissões com características mais rotineiras que se executam mecanicamente. Percebendo que estão num contexto social, estes professores procuram não agir sempre como simples executores de instruções que lhes são dadas. Com maior ou menor gosto, com menos ou mais preocupação, não só se vão dando conta da existência de problemas, mas também, com intensidades variáveis, sentem a responsabilidade inerente ao seu modo de agir, procurando estar atentos aos efeitos da sua atuação.

É evidente que é muito grande a diversidade de outras posturas profissionais que se podem imaginar inscritas ao longo do tal continuum, nas extremidades do qual se colocariam profissionais de que se acaba de fazer esta redutora descrição. E, para além disso, é necessário ter em conta que essas posturas são ainda influenciadas por outras circunstâncias. De facto, o contexto em que as práticas têm lugar exerçem uma enorme influência no que pode ser feito ao longo dos processos educativos. Professores implicados, atentos a possíveis efeitos socioeducativos da sua acção, são frequentemente constrangidos a não atuar de acordo com o que pensam ser correto, porque estão cercados de circunstâncias tão adversas que qualquer tentativa de ação lhes é muitíssimo dificultada. Já esse mesmo ator social, num contexto mais aberto, terá possibilidade de encontrar espaços para uma intervenção que pense ser adequada.

É esta multiplicidade de possíveis situações que faz com que seja tão fascinante o estudo de diferentes percursos profissionais.

or isso, o presente livro em que é descrito e analisado o percurso profissional de uma jovem e inquieta professora surge aos nossos olhos como representando um caso sobre o qual vale a pena refletir. Como o leitor poderá verificar, dele consta uma fascinante história de vida cruzada com o relato do seu percurso de atuação profissional, já num contexto socioeducativo em que a mercadorização da educação se instala. As raízes das consequências de uma dura socialização primária entrelaçam-se com as estimulantes influências de um contexto onde ocorreu o seu desenvolvimento posterior. Inquieta, informada, atenta, vai fazendo opções, rejeitando alguns caminhos, identificando outros possíveis.

Afirma-se como alguém que sabe o que quer, que intervém. E porque as opções que faz não acontecem por acaso, mas sim apoiadas numa sólida base teórica, é particularmente interessante não só a sua ação mas também o modo como ela é relatada. Esta é constantemente cruzada, questionada e enriquecida com os contributos de Bakhtin e Freinet. E a esta professora que, inesperadamente, opta por trabalhar numa instituição que tinha adotado um sistema de ensino apostilado , que vai desenrolando o fio da presente narrativa. Nestas circunstâncias, como poderia ela agir? Como é que poderia sobreviver alguém, profundamente marcado pela influência dos dois autores anteriormente referidos e que, como se disse, constituem a sua base teórica? Esta é a história que o presente livro nos proporciona, e sobre a qual me proponho refletir.

O meu objetivo é então, discutir como é que e a que nível terão tido lugar os processos de alteração de práticas dos professores desta escola, que, por iniciativa de autora, foram sendo introduzidas?

(Trecho do Prefácio)

Informações Adicionais

Autor Tânia Regina Laurindo
Ano de Publicação 2016
Páginas 276
Tamanho 14 x 21
ISBN 978-85-7993-337-0

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