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Nas travessias da linguagem: do texto ao discurso

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APRESENTAÇÃO

 

Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia. (João Guimarães Rosa).

 

Em O rumor da língua, Barthes (1984) nos mostra a relação inextricável do homem com a linguagem. Nos termos do autor: “O homem não preexiste à linguagem, nem filogeneticamente nem ontogeneticamente. Jamais atingimos um estágio em que o homem estivesse separado da linguagem, que elaboraria então para exprimir o que nele se passasse [...]” (p.31). O autor prossegue afirmando que “é a linguagem que ensina a definição de homem, não o contrário”. Através de Barthes (1984), podemos pensar no papel fundante que a linguagem tem no modo como nos constituímos na relação com nós mesmos, na forma como conceptualizamos as coisas e o mundo que nos circunda. Partindo dessa reflexão, gostaríamos de situar as discussões dos onze capítulos deste e-book num viés mais amplo que recobre a construção do sujeito via língua(gem), através de diversas perspectivas de estudo que, em maior ou menor grau, tocam em aspectos textuais e discursivos.

Nesse sentido, o primeiro capítulo do e-book, escrito por Maria Eliza Freitas do Nascimento e Durval Muniz Albuquerque Junior, investiga como o sujeito com deficiência é construído na esfera discursiva da sexualidade, atrelado a relações de poder através de estratégias de governamentalidade. Para tanto, os autores analisam os enunciados da campanha produzida pelo Centro de Promoção da Saúde – CEDAPS, por meio do Projeto Caminhos da Inclusão. O enfoque do capítulo reside em pensar que o discurso da sexualidade na deficiência emolduram técnicas de si como práticas e procedimentos e modos de subjetivação que são ensinados, elaborados e aplicados aos sujeitos para possibilitar a gestão da própria vida sexual.

No segundo capítulo, Antonio Genário Pinheiro dos Santos considera a discursividade e o efeito de evidência mobilizados no acontecimento do pleito político-eleitoral norte-americano de 2016, no intento de discutir a operação de subjetivação e de parresia nele implicados. Os autores asseveram que os discursos produzidos no âmbito do pleito antes citado apontam para a operação de sentido em torno do antagonismo de forças políticas e para o batimento de relações de poder em torno da verdade.

Posteriormente, Francisco Vieira da Silva e Claudemir Sousa analisam as configurações da escrita de si em postagens de um perfil de viagem do Instagram, no intuito de estudar os modos através dos quais o sujeito que viaja relaciona-se consigo mesmo e com os outros, levando em consideração o caráter etopoiético da escrita – a escrita enquanto treino de si. Para tal, os autores examinam quatro postagens do perfil em foco, as quais compõem uma série de apontamentos denominados de “Reflexões da estrada”. Os apontamentos analíticos do capítulo possibilitam destacar que os relatos do perfil sofrem os efeitos da urgência em se fazer visível no espaço virtual, especialmente quando se pensa numa escrita reflexiva que se faz pública, de modo a orientar os seguidores da página acerca das vicissitudes, dos aprendizados, dos modos de ser e estar numa situação de viagem.

Em seguida, o capítulo escrito por Aluizio Lendl, Kélvya Freitas Abreu e Maria do Socorro Maia Fernandes Barbosa investiga, a partir da perspectiva teórica de Bakhtin e do Círculo, o espaço ideológico que a “palavra” é tomada no século XXI, em especial, a palavra “família”, em três materialidades discursivas, a saber: um verbete, uma notícia e uma campanha publicitária. Globalmente falando, as discussões suscitadas no capítulo dão conta de que a palavra “família” e o seu referido conceito situam-se numa arena ideológica, por meio da qual se pode entrever uma disputa de sentidos em torno do que se entende por família.

Já o texto de autoria de José Marcos Rosendo de Souza e Antônio Luciano Pontes volta-se para a construção de sinais da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), mais especificamente do funcionamento de tais sinais na e como esses princípios incidem na organização da nominata no Dicionário da Língua de Sinais do Brasil (DLSB), do ponto de vista dos aspectos morfológicos. A partir das análises do dicionário citado, os autores do artigo destacam que a ordenação das entradas não segue um padrão que ponha a LIBRAS em primeiro plano, tendo em vista que segue a estrutura de um dicionário de língua oral.

Na sequência, o capítulo de Ana Paula Oliveira Vale de Andrade e Sandra Maria Araújo Dias investiga os gêneros textuais inscritos no livro didático (LD) de Língua Portuguesa do Ensino Médio, selecionado pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). O exame do material didático estudado possibilita entrever que gêneros escritos predominam, do ponto de vista quantitativo, sobre os gêneros orais, de modo a denotar que o trabalho com a oralidade ainda é incipiente no âmbito dessa ferramenta didática de importância singular na escola brasileira.

Dando continuidade à coletânea, o capítulo de Thiago Magno de Carvalho Costa e José Wellisten Abreu de Souza analisa as prescrições existentes no trabalho de uma professora de língua inglesa que atua em um curso livre de idiomas, na cidade de João Pessoa, na Paraíba, a partir do quadro epistemológico do ISD e das Ciências do Trabalho e, mais precisamente, da Ergonomia de linha francesa. O corpus produzido foi gerado através de uma entrevista semiestruturada com a professora-colaboradora em seu próprio ambiente de trabalho. A investigação demonstra a presença de prescrições internas e externas que regulam o agir da docente pesquisada.

No texto de Cibele Naidhig de Souza, o autor depara-se com uma pertinente discussão acerca da categoria linguística da modalidade. O enfoque do capítulo centra-se no estudo da função discursiva da modalidade, especificamente da expressão modalizadora pode ser, como gerenciadora da interação comunicativa, de maneira a investigar as estratégias e efeitos de sentido desenvolvidos nessa atividade. O exame da expressão pode ser revela que que além de indexar aos enunciados um posicionamento epistêmico ou uma atitude deôntica, a categoria pode vir apenas como estratégia pragmática.

No capítulo escrito por Mário Martins, tem-se o exame da entre a posição das orações adverbiais temporais introduzidas pelo conector “quando” em relação às orações principais e a localização temporal das situações descritas nessas orações adverbiais, no intuito de verificar, sob o viés estatístico, se a ordenação estrutural das orações no domínio sentencial reflete a ordenação cronológica das situações nelas destacadas. Para tanto, o autor lança mão de um corpus desenvolvimental composto de textos escritos por discentes do 5º, 7º e 10º anos da escolaridade básica portuguesa, monolíngues de português europeu. Em linhas gerais, os resultados aferem que a localização temporal das situações mantém uma relação matematicamente significativa com a posição da oração subordinada temporal no domínio sentencial.

Os dois últimos capítulos dessa coletânea abordam as especificidades do discurso literário. Nesse sentido, o texto de Sarah Maria Forte Diogo aborda a obra Ponciá Vicêncio (2003), de Conceição Evaristo, enquanto gênero literário passível de ser explorado em salas de aula de educação básica. A autora defende que o interesse por Ponciá Vicêncio aloja-se no fato de ser um romance contemporâneo que problematiza questões sociais, configurando-se enquanto obra de relevância para figurar em aulas de literatura brasileira.

Por fim, o capítulo de Francisco Romário Nunes discorre sobre a novela “Campo Geral”, publicada pela primeira vez em 1956, de João Guimarães Rosa, e o filme Mutum (2007), dirigido por Sandra Kogut. A investigação empreendida pelo autor explicita que a adaptação fílmica reconfigura a obra literária através da linguagem cinematográfica, além das escolhas da direção/produção que cria sua própria interpretação do texto literário. Feitos esses comentários de cunho mais específicos, convidamos os leitores a mergulharem nas discussões teórico-analíticas aqui desenvolvidas, as quais, de uma forma ou de outra, dão a ver as infindáveis travessias de que a linguagem se recobre, numa miríade de possibilidades das abordagens textuais e discursivas.

 

Francisco Vieira da Silva José Marcos Rosendo de Souza

Organizadores

 

Referências

BARTHES, R. O rumor da língua. Trad. António Gonçalves. Lisboa: Edições 70, 1984.

ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

Informações Adicionais

Autor Francisco Vieira da Silva; José Marcos Rosendo de Souza (Organizadores)
Ano de Publicação 2017
Páginas 168
Tamanho 16 x 23
ISBN 978-85-7993-466-7

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