Teatro e ensino (I) – estratégias de leitura do texto dramático PE100

Teatro e ensino (I) – estratégias de leitura do texto dramático

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Lourdes Kaminski Alves; Célia Arns de Miranda (Orgs.)
Teatro e ensino (I) – estratégias de leitura do texto dramático. São Carlos: Pedro & João Editores, 2017. 257p.
ISBN. 978-85-7993-442-1
1. Teatro e ensino. 2. Leitura do texto dramático. 3. GT dramaturgia e teatro - ANPOLL. 4. Autores. I. Título.
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APRESENTAÇÃO

 

 

É com imensa alegria que apresentamos a primeira edição da Coleção Caderno Temático Teatro e Ensino (I): Estratégias de Leitura do Texto Dramático, contemplando em sua primeira edição os eixos teórico e prático relativos ao tema em tela. Este Caderno responde a uma demanda de publicação gerada no biênio 2014/2016, em torno da pesquisa e de reflexões sobre práticas pedagógicas relativas à dramaturgia e teatro e suas relações com o ensino, conforme reflete Alexandre Villibor Flory no prólogo deste Caderno. A abordagem que foi estabelecida pelo biênio anterior “Estratégias de leitura do texto dramático” tendo em vista a discussão de parâmetros prático-teóricos mostrou-se bastante frutífera uma vez que esta publicação reúne onze artigos, uma entrevista e uma bibliografia temática, reafirmando a sua importância.

Propomos que seja realizada uma publicação bienal de Cadernos Temáticos que terá a configuração de uma Coleção, organizada segundo os parâmetros de avaliação do WebQualis/livros/Capes. A proposta é que os Cadernos contemplem o tema das relações entre o teatro e o ensino, podendo assumir temáticas diferenciadas a cada biênio, de acordo com novas demandas de pesquisa, e que tenha como foco a distribuição entre bibliotecas de escolas públicas do Ensino Fundamental e Médio. Intenta-se assim, subsidiar práticas teatrais já existentes nas escolas ou em grupos alternativos no entorno escola/comunidade ou motivar a criação de novos projetos.

A referida publicação visa, ainda, socializar resultados de pesquisa de modo a promover um diálogo entre docentes e discentes da pós-graduação, da graduação, da Educação Básica e demais interessados nas temáticas que aqui se projetam e que apontem para a inserção social dos pesquisadores que pertencem ao GT Dramaturgia e Teatro. A democratização do ensino da literatura leva-nos a repensar sobre o papel dos estudos literários nas escolas e nas universidades. Dentro deste contexto, Antoine Compagnon em seu livro Literatura para quê? (2012) levanta muitos questionamentos pertinentes: O que é literatura? O que pode a literatura? Que valor a sociedade e a cultura contemporâneas atribuem à literatura? Que lugar deve ser o seu espaço público? Ela é útil para a vida? Por que defender sua presença na escola? Tomamos aqui a idéia ampliada do literário, incluindo o texto dramatúrgico inserido nas amplas possibilidades de formação leitora. Compagnon (2012, 57) leva-nos a refletir que “O exercício jamais fechado da leitura continua o lugar por excelência do aprendizado de si e do outro, descoberta não de uma personalidade fixa, mas de uma intensidade obstinadamente em devir”. O GT Dramaturgia e Teatro ao primar pelo diálogo entre a Literatura e o Teatro propicia este espaço aberto para a leitura em suas multiplicidades e intensidades.

Considerando o perfil das pesquisas do GT, organizamos as seções desta primeira edição da Coleção Caderno Temático Teatro e Ensino (I) a partir de eixos principais que foram nominados de PRÓLOGO, ATO I, ATO II, ATO III e ATO IV.

O ATO I – Diálogos Ampliados pelos Projetos de Pesquisa e Extensão e ATO II – coloca em diálogo, textos cujas reflexões foram motivadas, a partir de projetos institucionalizados, com o fim de promoverem tanto a pesquisa quanto atividades práticas. São textos que descrevem diferentes práticas teatrais vivenciadas efetivamente, em seus respectivos contextos, ao mesmo tempo em que apresentam reflexões teóricas, críticas e base metodológica que sinalizam possibilidades para que outros atores criem suas próprias práticas em diversos cenários.

O Ato I deste espetáculo é composto por seis textos. O primeiro capítulo intitulado “Considerações sobre novas perspectivas didáticas e epistemológicas nos estudos teatrais: Eventos de Extensão do Grupo de Pesquisa Crítica Literária Materialista” foi escrito por Alexandre Villibor Flory. Primeiramente, o autor oferece uma densa reflexão sobre a conjuntura atual das pesquisas sobre o teatro e a literatura dramática em todos os níveis da epistemologia contemporânea. Dentro desse debate, infelizmente, a Universidade, de uma maneira geral, não cumpre o seu papel de articulador crítico tanto no nível de formação de massa crítica, de critérios de avaliação e de produção de pesquisa e acaba assumindo meramente “uma função de produção e reprodução do sistema de consumo” que traz como uma das consequências o “esvaziamento da função social da literatura”. Na segunda parte do artigo, Flory desenvolve uma espécie de histórico de questões relevantes para o ensino do e pelo teatro a partir dos Eventos de Extensão que foram realizados pelo Grupo de Pesquisa que está cadastrado no CNPq desde 2009 sob o nome Crítica Literária Materialista. Esses Eventos de Extensão situam-se, como o pesquisador menciona, na contramão da “atomização objetificadora que se tornaram os cursos universitários”.

O segundo texto do Ato I, “‘Quartas dramáticas’: uma experiência com a encenação da leitura”, foi escrito por André Luis Gomes e Maria da Glória Magalhães dos Reis. Os autores propõem uma discussão a partir do projeto intitulado ‘Quartas dramáticas’, que é um projeto de extensão, iniciado em 2010 e realizado semestralmente na Universidade de Brasília sob a coordenação dos dois pesquisadores. Neste ano o projeto comemora a sua XIII edição sendo que o seu objetivo principal é o de divulgar textos teatrais e pesquisar o conceito de "encenar a leitura". Um outro aspecto relevante dentro do projeto é o que se refere ao entrelaçamento das áreas de literatura, teatro e ensino que, assim, prioriza o viés interdisciplinar. Os pesquisadores explicam que na encenação da leitura, o leitor e o ouvinte são entrelaçados e se “metamorfoseiam em ‘leiatores’ e ‘espectoleitores’. O neologismo formado pelos substantivos pressupõe a fusão das especificidades de ser leitor e, ao mesmo tempo, ator/atriz.

Martha Ribeiro é a autora do terceiro capítulo do Caderno Temático intitulado “Laboratório de Criação e Investigação da Cena Contemporânea: Escritos sobre o Ensino da Arte do Ator na Prática Cênica”. O seu texto descreve os métodos de treinamento do ator/performer desenvolvidos por essa pesquisadora para o ano de 2017 no âmbito do Laboratório de Criação e Investigação da Cena Contemporânea que coordena na Universidade Federal Fluminense. Tendo como diretriz os exercícios que desenvolve para a construção do espetáculo “Eu sou eu porque meu cachorrinho me conhece” (fragmentos de textos de Gertrud Stein), que se encontra em processo, é possível diagnosticar e isolar importantes elementos para a construção do aprendizado cênico dos artistas residentes, e a consequente potencialização dos seus processos criativos. Agrupando os exercícios ou fluxos, conforme denomina as cenas-movimento que partem do desenho dos corpos no espaço, obtém-se uma metodologia para o aprendizado da arte do ator, desvinculada de uma formalidade acadêmica tradicional e mais afim a um dispositivo de aprendizado pela via da experiência prática.

O quarto capítulo do Ato I foi escrito por Gabriela Lírio Gurgel Monteiro e tem como título “O espaço vazio brookiano na criação autobiográfica em sala de aula”. O texto aborda a metodologia de pesquisa desenvolvida pela pesquisadora na disciplina teórico-prática “Ator III”, que ministra no Curso de Direção Teatral da UFRJ, e que resultou no espetáculo intitulado “Saudade”, apresentado na sala Vianinha, na Escola de Comunicação. Os alunos, por meio do estudo da obra do diretor inglês Peter Brook, criaram monólogos a partir de histórias pessoais, tomando como ponto de partida o conceito de “espaço vazio” brookiano. Monteiro analisa como tais criações podem corroborar para ampliar as ferramentas de atuação, no que diz respeito à criação do texto, das ações físicas e da articulação entre objeto, imagem e palavra.

Margie – Margarida Gandara Rauen e Valdoni Ribeiro Batista foram os autores do capítulo “Ensino e Inclusão Curricular de Dramaturgas e Mulheres Artistas”. Neste texto, partiram da premissa feminista de possibilidade de desarticulação do androcentrismo, entendendo-a como tão indispensável na formação docente voltada à legitimação da diversidade quanto o engajamento de professores de literatura e de artes cênicas com o papel de agentes questionadores e propositores do currículo. Os autores propõem duas etapas conducentes à desnaturalização do androcentrismo. Inicialmente, apresentam referências pertinentes à crítica feminista de artes cênicas e à vasta produção de mulheres artistas e dramaturgas, incentivando uma reconsideração de repertórios excessivamente androcêntricos nas práticas pedagógicas. Num segundo momento, eles recomendam o método de pesquisa-ação voltado à desnaturalização do androcentrismo na formação de professores, tendo como referência uma prática realizada na disciplina de estágio supervisionado do Curso de Licenciatura em Arte-Educação da Universidade Estadual do Centro Oeste, Paraná (UNICENTRO), em 2016 (BATISTA, 2017).

O último capítulo do Ato I, “LerAtos: Jogos Sérios de Leitura Performática em Realidade Alternada para engajar População e Escolas em Desafios Sociais”, foi escrito pelo Marcelo Alves de Barros e Valéria Andrade. LerAtos é uma abordagem inovadora de ensino-aprendizagem na escola que usa jogos sérios de realidade alternada e leitura e produção de textos de teatro, para desenvolver habilidades de leitura e escrita, melhorar o desempenho em conteúdos curriculares indisciplinares e aumentar o nível de engajamento dos estudantes e professores em ações sociais em suas respectivas comunidades. Nesta abordagem os jogos caracterizam-se por missões vividas em parte nos mundos virtuais oportunizados aos jovens no computador e em dispositivos móveis, e também em palcos do mundo real, nos quais estes jovens estudantes aplicam conhecimentos dos conteúdos curriculares e textos dramatúrgicos para resolver problemas de uma cidade.

O ATO II – Dramaturgia, Teatro e Ensino: Provocações – evoca os leitores para pensar sobre questões de produção, hibridização, recepção, metodologias e abordagens do teatro e pelo teatro na Escola. O texto “Produção e Recepção Teatral na Escola”, da pesquisadora Beatriz A. V. Cabral, apresenta quatro abordagens metodológicas investigadas a partir de 1995, através da prática como pesquisa e experiências realizadas em parceria entre as universidades públicas de Florianópolis (UDESC e UFSC) e escolas da rede municipal de ensino ou centros comunitários. Segundo a autora, estas abordagens focalizam alternativas para a produção teatral no contexto curricular, a apropriação do texto dramático e/ou teatral por crianças e adolescentes, o papel do professor como mediador na aquisição da linguagem cênica tendo como objetivo principal o desenvolvimento do conhecimento em teatro. Beatriz observa que o ensino do teatro implica o desenvolvimento concomitante da aquisição de conhecimentos e habilidades nas esferas do fazer (produção) e do apreciar (recepção).

Lourdes Kaminski Alves, a partir do texto “O devir teatro na escola”, reflete sobre o potencial da leitura cênica na sala de aula ou em espaços alternativos, como estratégia que permite que o leitor experimente uma nova entrada no texto ou aplique-lhe uma estratégia diferente de interpretação. A autora observa que a leitura cênica é uma prática teatral que tem aparecido com maior frequência na atuação de atores/atrizes convidados a ler poetas. A autora observa que, por um lado, movimentos de apropriação vêm acontecendo sob diversas perspectivas, pedagógica, performática, lúdica, reflexiva e, por outro, que a leitura é uma questão sempre emergente no conjunto dos desafios que enfrenta a educação brasileira, o que indica que o gênero da leitura cênica, coloca-se como uma possibilidade para o encontro com os textos poéticos e com os textos dramáticos e, por conseguinte, amplia a fruição da literatura, no interior ou fora dos processos teatrais.

No terceiro texto do Ato II, Sonia Pascolati reflete sobre dois gêneros textuais, conforme observa a autora, pouco presentes em sala de aula, a saber, o texto dramático e as histórias em quadrinho (HQ). Nesta proposta de estudo, a autora contempla uma reflexão sobre as especificidades de ambos os gêneros, mas preocupa-se especialmente em sugerir um percurso de leitura comparada de produções dramatúrgicas transpostas para histórias em quadrinho e/ou graphic novel a fim de projetar uma dimensão pragmática e pedagógica a essas ponderações. Sonia observa que no campo dos quadrinhos, são muitas as transposições de obras literárias, mas a grande maioria é dedicada a obras narrativas e poéticas, razão pela qual, a mesma só conseguiu localizar três adaptações de textos dramáticos para narrativa sequencial por imagens, sendo eles: Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, transposto para os quadrinhos por Laudo Ferreira, colorido por Omar Viñole e publicado pela Peirópolis em 2011; uma publicação da Nova Fronteira, de 2007, que transpõe a corrosiva crítica rodrigueana construída em Beijo no asfalto, roteirizada por Arnaldo Branco e ilustrada por Gabriel Góes; e uma obra da série Grandes Clássicos em Graphic Novel da editora Agir, que lançou, em 2009, O pagador de promessas, de Dias Gomes, adaptado por Eloar Guazzelli. 

Os autores Gracielle Cristina Selicani Barbosa, Rodolfo Barroso e Rosemari Bendlin Calzavara, a partir do texto “Shakespeare na Sala de Aula” refletem sobre a formação do jovem leitor de literatura na disciplina de Língua Portuguesa. Estes propõem uma metodologia, cuja proposta tem como formatação a elaboração de atividades de leitura e o estudo crítico-reflexivo sobre o teatro e suas possibilidades no espaço escolar, de forma mais específica, ancoram a reflexão na produção editorial da peça A tempestade, do dramaturgo inglês William Shakespeare e suas adaptações como livros paradidáticos, para a leitura literária nas escolas.

Célia Arns de Miranda e Rebeca Pinheiro Queluz encerram esta seção com o texto intitulado “Teatro em quadrinhos: Macbeth de Marcia Williams”. As autoras abordam a história em quadrinhos Macbeth, inserida no livro Sr. William Shakespeare: Teatro, escrito por Marcia Williams, refletindo sobre o potencial das HQs como um híbrido dentro do híbrido das histórias em quadrinhos. Este texto propõe, ainda, desenvolver algumas estratégias pedagógicas para o uso dos quadrinhos em sala de aula através da análise e comentários de Macbeth por Williams.

Esta edição do Caderno Temático I é animada, ainda pelos ATOS III e IV.

No terceiro Ato, Márcia Regina Rodrigues entrevista Amauri Falseti, que nos fala sobre a participação de crianças, jovens e professores em Núcleos de Vivência Teatral da Cia. Paideia.

O espetáculo continua no Ato IV, com a orquestração de vozes provenientes da seleta bibliografia sobre “Estudos de Mulheres e Gênero nos Campos de Dramaturgia e Teatro”, preparada por Margie - Margarida G. Rauen, Marise Rodrigues, Valeria Andrade e Maria Cristina de Souza.

Ao fim do espetáculo que sempre remete a um recomeço, desejamos a tod@s uma leitura capaz de gerar outra escritura e novas leituras, ao modo barthesiano “irrespeitosa, pois que corta o texto, e apaixonada, pois que a ele volta e dele se nutre”, sobretudo, com o direito à dúvida, tal como Barthes no Rumor da Língua (2004, 31) nos provoca. “[...] não sei se a leitura não é constitutivamente, a leitura da leitura, a Metaleitura, não é nada mais do que um estilhaçar-se de idéias, de temores, de desejos, de gozos, de opressões, de que convenha falar à medida que surjam, à imagem do plural de grupos de trabalhos que constitui esse” Caderno Temático.

A nossa gratidão aos colegas que colaboraram com a primeira edição da Coleção Caderno Temático Teatro e Ensino (I): Estratégias de Leitura do Texto Dramático do GT Teatro e Dramaturgia da ANPOLL.

 

 

Lourdes Kaminski Alves (PPGL/UNIOESTE)

Célia Arns de Miranda (PPGL/UFPR)

Coordenação do GT Dramaturgia e Teatro da ANPOLL

Biênio 2016/2018

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