Quando o feminino grita no poético e no político PE234

Quando o feminino grita no poético e no político

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Dantielli Assumpção Garcia; Lucília Maria Abrahão e Sousa; Maria Beatriz Ribeiro Prandi; Gustavo Grandini Bastos (Orgs.) !@
Tamanho 23 x 16. 434 páginas

ISBN. 978-85-7993-483-4

1. Estudos de linguagem. 2. Análise do Discurso. 3. Estudos do feminino. 4. Feminino e literatura.

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No poético e no político - espaços de dizeres do feminino

 

O corpo feminino, da mulher tem significado de diferentes maneiras no decorrer da história (como corpo que precisa ser controlado, tratado, silenciado, interditado). Pensando nesses múltiplos dizeres sobre a relação da mulher com seu corpo, na relevância, na singularidade e na transversalidade desse grande tema, apostamos na organização do livro Quando o feminino grita no poético e no político, o qual tem como objetivo criar um espaço de escuta e de análise dos rumores do poético e do político que tomam o feminino como materialidade significante de suas produções/intervenções. O livro está estruturado em cinco partes, quais sejam, 1. O feminino e a arte; 2. O feminino e a literatura; 3. O feminino e a resistência; 4. O feminino e o político; 5. Textos Poéticos sobre o feminino; 6.  Ensaio Fotográfico sobre o Feminino; e tem como intuito pensar como o corpo da mulher é posto em exposição (estilizado, costurado, saturado, significado, falado, poetizado, enfim, dito em diferentes materialidades) e diz sobre como é historicamente ser mulher.

Compõem a primeira parte – O feminino e a arte – os textos: “Pelas mãos de uma memória do corpo em um beber meu olho entre seus lábios”, “Arte e Risco”, “O Mundo Ovo ou a incompletude do corpo: a arte como espaço poético de (re)invenção de si” e “Origamis poéticos e políticos a partir da voz de Yoko Ono: uma exposição em discurso”. Nessa primeira parte, os autores analisam como a arte faz falar o feminino e coloca em funcionamento como o corpo da mulher pertence ao espaço de criação de uma obra de arte.

Ana Paula Correa, Bruna Cielo Cabrera, Luiza Boézzio Greff, Marilda Aparecida Lachovski e Amanda Eloina Scherer, em “Pelas mãos de uma memória no corpo em um beber meu olho entre seus lábios”, com participação de Débora Olivaes Pereira e Viviane T. B. Brust, intentam, ao analisarem o filme “Espelho Torcido” (2013), de Luiza Junqueira, “desfazer um amálgama cotidiano de objetos que, desde pequenas, aprendemos a calar e a esconder: o corpo feminino no seu real imaginário de beleza, de feiura, do estético sem beleza, da beleza pelo estético daquilo que somos e, ao mesmo tempo, daquilo que tentamos barrar, mostrar, sentir pelo corpo feminino”.

No texto “Arte e Risco”, Glaucia Nagem de Souza, discutindo acerca da experiência poética que cada artista oferece ao olhar do expectador e analisando uma gravura da série “Disparates”, de Francisco Goya (“Os Ensacados”), a exposição Toulouse-Lautrec sobre sexualidade e “Nada levarei quando morrer”, de Miguel de Rio Branco, intenta refletir a respeito do momento que a Arte e a Psicanálise atravessam na contemporaneidade. Como afirma Nagem de Souza, há pelos curadores na apresentação dos catálogos que buscam descrever essas obras de arte: “uma extrapolação que me aparece apontar mais para uma confusão entre o que é tema do artista e o que seria um tema da contemporaneidade. O artista a todo tempo – e sob riscos – nos oferece seu olhar. O que olha e como olha. Qual tratamento que dá ao objeto representação”. Ao analisar essas obras, a autora estabelece uma relação com a Psicanálise, ressaltando que esta pode nos apontar que “a arte tem muito a nos dizer e que para isso pode operar com esses registros dos falantes. Registros que permitem transitar na arte evocando o que de mais humano podemos extrair dela: o risco”.

Em “O mundo Ovo ou a incompletude do corpo: a arte como espaço poético de (re)invenção de si”, Camilla Baldicera Biazus e Verli Petri, ao analisarem a obra artística de Eli Heil, refletem acerca do lugar do corpo, do feminino e da maternidade em tal arte (“Mundo Ovo”). Como as autoras salientam, as personagens de Eli, em geral mulheres, “insinuam um grito, uma dor, uma alucinação, e também uma espécie de libertação. A submissão e a negação da própria sexualidade, tão característica da mulher na sociedade patriarcal, são substituídas por uma mulher que expõe o seu corpo, que revela aos olhos dos outros os seus genitais, as suas formas, sem qualquer pudor ou moralismo”. Biazus e Petri ressaltam que, na “maternidade artística” de Eli, a criação se sustenta na tríade “ovo-óvulos-ovário” e, na “explosão do ovo”, a artista renasce e sua obra abre-se a múltiplos outros sentidos.

Lucília Maria Abrahão e Sousa, Dantielli Assumpção Garcia, Gustavo Grandini Bastos e Maria Beatriz Ribeiro Prandi, em “Origamis poéticos e políticos a partir da voz de Yoko Ono: uma exposição em discurso”, propõem um “passeio” pela exposição “O céu ainda é azul”, de Yoko Ono, analisando a posição de Yoko como artista e o discurso da exposição como um arquivo, o qual se abre polissêmica e ludicamente para o jogo, a disputa, a interferência dos seus visitantes. Nesses jogos, os sujeitos que adentram o espaço da arte intervêm na obra e dizem sobre a situação política do Brasil e sobre seu presidente: “Dizem intervindo na obra de arte, pelo que não suportam calar. Dizem de um desejo que espera que o céu brasileiro ainda seja azul, apesar dos golpes políticos, midiáticos que intentam apagar, muitas vezes, por uma repressão extremamente violenta as lutas da pátria mãe gentil e o amor que os filhos deste solo sentem pelas terras brasileiras”.

Na segunda parte de nosso livro O feminino e a literatura, estão os textos: “Sangria que não estanca: efeitos de uma tecelagem histórica com fios de sangue”, “Um pouco de útero e de mulher: uma análise discursiva do poético”, “O feminino cerzido na poesia: o corpo falante e suas fendas”, “Outros jeitos de usar o silêncio: efeitos de escrita feminina em Rupi Kaur”, “O discurso de/para Macabéa em A Hora da Estrela: sentidos possíveis e (in)desejados para o sujeito-mulher”, “Alencar e o tropeço no feminino” e “(Em)canto sobre a mulher: uma escuta sobre o gênero feminino na Música Popular Brasileira”. Neles, os autores analisam como por meio da poesia, da narrativa ficcional, da música dizeres sobre o feminino e a mulher são postos em circulação e produzem significações outras sobre a mulher e o modo como o feminino participa da constituição de subjetividades e da história de um país.

Em “Sangria que não estanca: efeitos de uma tecelagem histórica com fios de sangue”, Dantielli Assumpção Garcia e Lucília Maria Abrahão e Sousa intentam compreender o modo como sentidos sobre a história do Brasil sob “a ótica de um útero” são poetizados na obra, de Luiza Romão, Sangria. Como afirmam as autoras: “Composto por 28 poemas – metáforas de um ciclo menstrual – cada um acompanhado de uma foto (de Luiza Romão em parceria com Sérgio Silva), costuradas uma a uma com diferentes materiais (lã vermelha, pregos, alfinetes, chaves etc.) pela artista, o livro tem a finalidade de “performar esse silenciamento histórico das mulheres”[1] e mostrar como o corpo feminino, silenciado inúmeras vezes pelas várias formas de violência inscritas pela historicidade no cotidiano, “grita sua sangria (sangramento que muito oportunamente diz algo do/sobre o feminino em seu corpo cujo útero desaba a cada vinte e oito dias para, depois, se prepara para a fecundação e se ergue soberano em vida) e sua participação na constituição de um país”.

O capítulo “Um pouco de útero e de mulher: uma análise discursiva do poético”, de Karen Gabriele Poltronieri, Stefanie Ferreira dos Santos, Dantielli Assumpção Garcia e Lucília Maria Abrahão e Sousa, analisa o poema “A mulher é uma construção”, da poetiza gaúcha Angélica Freitas, buscando compreender como, pelo funcionamento da memória (PÊCHEUX, 1999), certas imagens, há muito tempo estabilizadas na sociedade, são retomadas e ressignificadas na escrita poética de Freitas. As autoras ressaltam que, nos poemas do segundo livro de Angélica Freitas Um útero é do tamanho de um punho, temos “Um corpo de mulher desvestido dos efeitos dominantes que os homens fixaram para ele, um corpo de mulher dito pela voz da própria mulher que situa o seu útero no campo da luta. Os poemas contradizem essa redução da mulher a seu útero, abrindo para sentidos outros”, os quais as autoras intentam flagrar.

O capítulo “O feminino cerzido na poesia: o corpo falante e suas fendas”, de Aline Fernandes de Azevedo Bocchi, Bruno Monteiro Herculino, João Flávio de Almeida e Melissa Frangello Lozano, analisa a poesia de Rupi Kaur em Outros jeitos de usar a boca, primeiro livro da poetiza indiana, trabalhando o encontro entre o real da língua, o real do inconsciente e o real da história (PÊCHEUX, 2016). Os autores refletem acerca da aproximação entre o corpo da poesia e o corpo da poeta, “a qual desenha os contornos de uma prática de escrita feminina a ressoar nas quatro formas de experimentar o corpo e a subjetividade formuladas na obra – a dor, o amor, a ruptura e a cura. A travessia do feminino em Rupi se dá por meio dessas quatro etapas de experimentação de si mesma na relação com a alteridade, que presentificam um trajeto que vai da dor à cura, da violência à palavra, da morte ao renascimento”.

“Outros jeitos de usar o silêncio: efeitos de escrita feminina em Rupi Kaur”, de Adonai Takeshi Ishimoto, Ana Maria Carnevale, Ane Ribeiro Patti e Jacob dos Santos Biziak, analisa um conjunto de poemas de Rupi Kaur, refletindo a respeito do modo como podem ser criados efeitos de uma escrita feminina relacionada ao silêncio. Os autores afirmam que “as enunciações construídas nos poemas de Kaur, portanto, vão tecendo relações de sentidos cujos posicionamentos apontam para outros modos de constituição do feminino, de maneira que este se coloca não só como gênero, mas como forma de representação da realidade, outro, em que o subalterno pode falar, talvez tentando subverter, indiciariamente, os usos da língua do outro”.

Já em “O discurso de/para Macabéa em ‘A Hora da Estrela’: sentidos possíveis e (in)desejados para o sujeito-mulher”, Ana Paula A. Lopes, Thaís Silva Marinho de Paula e Soraya Maria Romano Pacífico analisam como em “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, sentidos para e pela personagem Macabéa são constituídos. Macabéa como sujeito à margem da sociedade, mulher nordestina, transita, segundo as autoras, por duas formações discursivas: uma que sustenta sentidos de submissão e outra que indicia resistência. Nos dizeres de Lopes, De Paula e Pacífico, a personagem Macabéa tem sua relevância “como sujeito de luta, de resistência, que se assujeitando ocupa tantas posições sujeito do discurso, produzindo efeitos marcantes do que é ser mulher, ainda, ser mulher imigrante, nordestina, com baixo grau de escolaridade, que tenta aos poucos se encaixar na sociedade. Que pela sua morte, pode fazer sua estrela brilhar, fez-se questionando até mesmo em seus minutos finais. Sujeito que enfim se identificou, se (re)conheceu como gente”.

Milena Palha e Vanise Medeiros, em “Alencar e o tropeço no feminino”, analisam duas notas de O Ubirajara, obra de José de Alencar, que dizem sobre a mulher indígena, a saber: A liga vermelha e Senhoras de seu corpo. Como ressaltam: “Se foi possível, a partir da análise da nota A liga vermelha, dizer do movimento de recuo da imagem da mulher tupi até o limiar de sua quase indiscernibilidade, tornou-se possível, a partir da análise da nota 51 – Senhoras de seu corpo, apontar o movimento que denominamos como tropeço no feminino”. Tropeço este que “é ao mesmo tempo a possibilidade de o sentido ser outro e o despontar do outro no fio discursivo”.

Ane Ribeiro Patti e Jéssica Abud de Souza, em “(En)canto sobre a mulher: uma escuta sobre o gênero feminino na Música Popular Brasileira” analisam um conjunto de “materialidades musicais discursivas”, objetivando perceber como, na Música Popular Brasileira, reproduzem-se ora sentidos legitimados sobre a mulher e o homem, ora deslocam-se, permitindo a emergência de novos sentidos em torno dos gêneros (feminino e masculino). Afirmam as autoras que, nas músicas, “pode-se observar a construção de papéis que estabelecem os limites e particularidades de cada um de uma forma naturalizante e pautada na dicotomia entre o dominante e o dominado, evidenciados nos papéis já legitimados de mulher e homem. Assim como, pode-se analisar letras de músicas que desconstruíram esses papéis e estabeleceram novos paradigmas para se pensar o feminino (o seu desejo, o seu corpo, a sua sexualidade e a sua autonomia), e, consequentemente, o masculino”.

Na terceira parte O feminino e a resistência, os seguintes textos “A narratividade nas músicas da MC Linn da Quebrada: textualização da memória”, “O feminino que grita no antifeminismo”, “’Meu corpo minha arma’: o FEMEN e as religiões” e “O papel da professora na educação não sexista: desafios para uma prática transformadora” discutem diferentes formas do feminino resistir: seja por meio de movimentos feministas, de músicas, sejam por meio do espaço escolar.

Michel Luís da Cruz Ramos Leandro e Fabiana Claudia Viana Borges, em “A narratividade nas músicas da MC Linn da Quebrada: textualização da memória”, analisam os modos de narratividade e sua relação com a memória nas músicas da MC Linn da Quebrada, refletindo acerca da maneira como o corpo atravessa essa relação: corpo de uma “bicha, preta, travesti, periférica”. Como salientam os autores, “No projeto artística da MC Linn da Quebrada nos deparamos com o corpo-resistência, aquele que disputa os sentidos, que questiona a ilusão do corpo-ideal, esperado, que se autoriza a dizer a partir de seu ‘lugar de fala’ [...] MC Linn da Quebrada faz da sua dor: libertação, grito, fúria, da sua voz: a voz de muitos outros, do seu canto: uma ocupação de um lugar em que é espaço de um determinado perfil majoritariamente ocupado por homens (MCs)”.

Pâmera Tavares de Carvalho e Luciana Carmona Garcia Manzano, em “O feminino que grita no antifeminismo”, analisam recortes do vídeo “A verdade sobre o feminismo”, da youtuber Cris Bernarti, buscando mostrar como “ser mulher”, na atualidade, constitui-se na oposição ao feminismo. As autoras salientam que “o discurso da youtuber traz à tona na oposição ao feminino que afirma e grita de um lugar histórico para a mulher em busca da manutenção dessa ordem e desse lugar. Nesse processo, silencia-se a subjetividade da mulher que luta ao passo que se sobrepõe a um momento de resistência que também clama por voz e vez”.

O capítulo “‘Meu corpo minha arma’: o FEMEN e as religiões”, de Fernanda Pereira, Jaqueline Dernardin e Dantielli Assumpção Garcia, analisa um conjunto de imagens de um protesto do grupo feminista FEMEN, intentando compreender como o corpo feminino nu, como materialidade discursiva, opõe-se ao discurso vigente sobre a feminilidade e denuncia práticas sociais de controle sobre o corpo da mulher. De acordo com as autoras, “os corpos das manifestantes do FEMEN estariam fora do lugar em diferentes aspectos. Fora de seu lugar físico, ou seja, corpos sem a vestimenta apropriada em lugares considerados sagrados ou públicos. Corpos femininos em espaços públicos de países islâmicos. Corpos femininos nus fora de seu lugar de exploração comercial habitual como em bordéis, ou anúncios comerciais de bens de consumo. Ou apenas o corpo feminino fora do seu ‘lugar’ definido pela sociedade patriarcal, ou fora do ideal de feminilidade construído a partir de uma perspectiva masculina”.

Em “O papel da professora na educação não sexista: desafios para uma prática transformadora”, Joyce Mara de Oliveira, Vivian Massullo Silva e Marília Valencise Magri, por meio da análise de entrevistas realizadas com professoras que lecionam em uma escola pública de Ensino Médio da cidade de Ribeirão Preto, intentam analisar como o sexismo está em funcionamento na sociedade no ambiente escolar. Como afirmam: “Após a análise de todas as respostas das professoras participantes da pesquisa, pode-se observar, de maneira geral, que elas percebem o problema na escola, sabem da importância do docente intervir no combate ao sexismo, mas a maioria não se percebe como parte da solução deste problema. Muitas acreditam que se mantendo neutras sobre o assunto estão colaborando para solucionar os problemas das desigualdades de gênero”.

Na quarta parte – O feminino e o político – os textos “Sobre a mulher e(m) seus lugares: discurso, mídia e mercado”, “O discurso da primeira-dama, Marcela Temer: o feminino no governo pós-impeachment”, “Belas, justas e unidas: a visão feminina pela Ordem Internacional das Filhas de Jó” e “As Bacantes de Eurípedes Martinez Côrrea” analisam diferente modos de o feminino aparecer e colocar em funcionamento o político.

Em “Sobre a mulher e(m) seus lugares: discurso, mídia e mercado”, Silmara Dela Silva, Tássia Gimenes Alves e Karoline da Cunha Teixeira buscam analisar como o discurso publicitário (uma propaganda disponibilizada na entrada de uma feira de roupas na cidade de Niterói-RJ e uma série de vídeos da empresa de cosméticos Mary Kay), ao falar sobre a mulher na atualidade, mobiliza uma valorização da mulher e a igualdade de gêneros, trazendo dizeres formulados e postos em circulação pelo discurso feminista. Todavia, ao filiar-se a esses dizeres pela via do mercado, o discurso publicitário acaba por produzir sentidos que restringem o lugar e a atuação da mulher em nossa sociedade. Nos dizeres das autoras: “É, pois, da ordem da contradição o funcionamento discursivo que encontramos em nosso corpus, que nos permite apontar o modo como o mercado se apropria de dizeres em curso, decorrentes de práticas discursivas feministas, que, ao ganharem novos modos de circulação, passam a dar sustentação ao discurso mercadológico em seus processos de engendrar formas de assujeitamento na atualidade”.

O capítulo “O discurso da primeira-dama, Marcela Temer: o feminino no governo pós-impeachment”, de Tamiris Rodrigues da Silva, Juliana Moreira da Silva Faria Ramos Borges e Lígia Mara Boin Menossi de Araújo, analisa o primeiro discurso de Marcela Temer como primeira-dama do Brasil, no qual inaugura o programa político-social “Criança Feliz”. Como as autoras ressaltam, tanto o pronunciamento como a aparição da primeira-dama “produzem um lugar de prestígio na sociedade brasileira pautada por um dispositivo de controle a partir do qual se observam discursos dominantes em que predomina uma formação discursiva machista/patriarcal. Esse modo de ser social encontra no discurso do programa ‘Criança Feliz’ um horizonte profícuo sobre como ser uma mulher e mãe exemplos para a sociedade atual”.

Já em “Belas, justas e unidas: a visão feminina pela Ordem Internacional das Filhas de Jó”, de Maria Luiza Ribeiro Buzan, Maria Beatriz Ribeiro Prandi e Fabiana Claudia Viana Borges analisam como a “Ordem Internacional Filhas de Jó”, ao retomarem o enunciado “Bela, recatada e do lar”, atualiza-o e ressignifica-o em “belas, justas e unidas”. Como apontam as autoras pelas análises: “‘Belas, justas e unidas’ não se pretende reproduzir sentidos já postos sobre padrões e estereótipos, mas evidenciar que há outros modos de ser mulher, do corpo feminino estar em outros espaços e de outros modos”.

De Lauro José Siqueira Baldini e Tyara Veriato Chaves, o capítulo “As Bacantes de Eurípedes Martinez Côrrea” analisa momentos de diversas naturezas, que convocam diferentes materialidades, e que nos ajudam a compreender como Dionísio (o estrangeiro, mas também o grego, o Dionísio atual, de Zé Celso; ainda um Dionísio qualquer) se impõe como presença sedutora e mortífera: “o mais terrível para os mortais e o mais gentil”. Uma dessas pedras que o texto analisa “punha no meio do caminho em 29 de outubro de 2017, dia em que a Folha de São Paulo publicou um vídeo do encontro entre Zé Celso e Silvio Santos, com a presença do Prefeito de São Paulo, João Dória. O assunto era uma disputa que atravessa quase quatro décadas, o destino dos terrenos no entorno do Teatro Oficina (...) o que o vídeo nos mostra não é só um capítulo dos 37 anos de conversas e querelas entre Zé Celso e Silvio Santos, mas o funcionamento da coisa política que passa pela língua, ou melhor, pelas línguas: a língua de madeira do direito, a língua de vento da publicidade, a língua de ferro do imperialismo, a língua de espuma da ditadura, mas também a língua poética da resistência. É no interior sufocante dessas línguas que algo se agita, algo ventila e faz soprar uma coisa nova”.

Na quinta parte deste livro, Textos poéticos sobre o feminino, temos um conjunto de textos literários, poéticos que dizem sobre a mulher e sua relação com seu corpo, com sua sexualidade, com suas lutas e dores.

Por fim, uma última parte traz um ensaio fotográfico sobre o feminino do fotógrafo Sérgio Silva que se dedica há anos a registrar momentos, cenas e retratos de lutas e movimentos sociais, dentre eles, os diversos movimentos de mulheres na trama urbana e em campo. Com as imagens em preto e branco, ele mostra como o feminino grita em imagens que evidenciam suas dores, lutas, violências e formas atuais de resistência.

Assim, neste livro, o feminino grita e convida seus leitores a se colocarem em um lugar de escuta do poético e do político que o ser mulher coloca em funcionamento.

 

Os organizadores



[1] Trechos de divulgação do projeto do livro Sangria por Luiza Romão. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=Z9Ifnk4qYGo>. Acesso em: 25 out. 2017.

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