Por uma escuta responsiva:  a alteridade como ponto de partida PE100
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Por uma escuta responsiva: a alteridade como ponto de partida

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Valdemir Miotello !@
Camila Caracelli Scherma; Eliziane Tamanho de Oliveira; Gelvane Nicole Guarda; Gisele da Silva Santos; Jéssica Pauletti; Marina Moreira; Oto João Petry; Tânia Mara Machado Thomé (Orgs.)
Por uma escuta responsiva: a alteridade como ponto de partida. São Carlos: Pedro & João Editores, 2018. 84p.
ISBN 978-85-7993-598-5
1. Estudos Bakhtinianos. 2. Ética. 3. Estética. 4. Escuta. I. Título.
CDD – 370/410

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Apresentação

 

Oto João Petry[1]

 

 

Inicialmente, preciso agradecer à Professora Camila, que me fez o convite para escrever as palavras iniciais sobre o registro da passagem do Professor Miotello pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu – Mestrado em Educação – da UFFS em Chapecó, no dia 27 de agosto de 2018, por ocasião de aula inaugural proferida aos alunos da sexta turma do Mestrado em Educação e à comunidade acadêmica em geral. Fui logo dizendo a ela que este teria que ser um trabalho a quatro mãos, e que poderíamos fazê-lo deste modo. Camila, em seu tempo e jeito, disse-me: “Comece, Oto. Comece!”.

Cá estou, numa segunda-feira à tarde, no dia 22 de outubro de 2018, de frente para a cidade, com sol lindo e algumas nuvens aqui e acolá, ao som de uma máquina de cortar gramas na vizinhança, esculpindo carinhosamente na tela as primeiras palavras para dar conta do que combinamos sexta-feira última no corredor da UFFS. E, para fazer como o Mestre nos  ensinou, além de lermos e estudarmos os escritos de  B-A-K-H-T-I-N, um bom começo é colocar à disposição de leitores as coisas boas e generosas que pessoas boas e generosas falam mundo a fora deste teórico e pensador e suas contribuições para a vida:

 

“A revolução bakhtiniana consiste em voltar a propor [...] a dialogia de uma diferença que, por sua constituição, está impossibilitada de ser indiferente ao outro”.[2]  

 

“Aos poucos Bakhtin foi clareando que havia uma revolução a ser feita, sim, e foi organizando forças nesse sentido. Uma revolução filosófica! Instaurar novas bases pra compreensão do humano do homem e da vida. [...] Bakhtin, um sujeito único, singular, e constituído por uma teia interminável de relações. Não tinha uma só cara, mas era um Jano com muitíssimas caras, constituídas na reflexão e refração com as outras caras. Uma cara grotesca, alterada sem parar e única sem parar. Homem singular!”.[3]

 

“Bakhtin, ao aceitar o enunciado concreto como o lugar da vida da língua e ao assumir o princípio básico da alteridade, assume em sua concepção de linguagem, como próprio de seu funcionamento, que a todo texto o outro comparece com suas contrapalavas, bem entendido que estas não são próprias, mas esquecimentos das origens. Nesse encontro que dá vida à escuta e à escrita, pelo movimento de compreensão responsável, ressurgem sentidos, constroem-se sentidos, avançam-se compreensões, sempre como projeções do compromisso inarredável com o futuro. [...] Penso que Bakhtin autoriza, coerentemente, com suas concepções, deslocamentos dos conceitos que produziu, reaproximações, aplicações a outros campos, enfim, usos como respostas que lhe dão vida num tempo em que só nos restam suas palavras escritas”.[4]

 

Da janela da sala de trabalho, ouço o ronco das turbinas de aeronaves que irrompem os céus da cidade, trazendo coisas e gentes. Invariavelmente, dirijo-me à janela para apreciar a chegada e saída destes lindos pássaros gigantes, inconfundíveis inventos que o inteligente esforço laboral humano coletivo produziu. A ciência, o conhecimento e a tecnologia, produções humanas, podem nos aproximar ou nos distanciar, podem construir, destruir e reconstruir, podem alegrar e entristecer, podem unir e separar.  Vejam que fantástico – é possível embarcar em algum ponto do Brasil ao anoitecer, cruzar o Atlântico e chegar noutro dia em tempo bom de entregar uma flor a uma pessoa especial e amada.  Lindo demais para sempre nos mantermos otimistas e esperançosos com as possibilidades e potencialidades de uma educação e ciência social emancipadora.

Os mestres são como caixeiros viajantes a percorrer o mundo para anunciar e entregar o que a genialidade humana criou de melhor para o conforto e convívio desinteressado de homens e mulheres. No último mês de agosto, um Pássaro Gigante trouxe para a cidade um Mestre, acompanhado de sua esposa e Mestra amável, Isabel, que traziam, dentre outras coisas, um punhado de generosidade, de alegria, de testemunho de paz e esperança, de conhecimento e muitas belas e boas palavras sobre o renomado pensador russo que influenciou e continua influenciando o pensamento e a linguagem mundial, conforme as palavras ditas e agora disponibilizadas nesta pequena obra do Círculo de Bakhtin...

Muitíssimo obrigado, Mestre Miotello, por ter vindo. Em tempos difíceis, é preciso dizer e registrar que, apesar de tudo, sempre estaremos perfilados com os ideais da justiça, da democracia, da liberdade e do bem viver para todos.  Um abraço fraterno a todas as leitoras e leitores desta obra, que poderá ser copiada e ampliada, divulgada sem restrições legais!

 

Chapecó (SC).

Outubro de 2018.



[1] Professor na Universidade Federal da Fronteira Sul. Coordenador do Programa de Pós-graduação em Educação.

[2] Ponzio, A Revolução Bakhtiniana: o pensamento de Bakhtin e a ideologia Contemporânea. São Paulo: Contexto, 2008. p.13.

[3] Miotello, V. Marx – uma palavra outra em Bakhtin. In: GEGe. Palavras e Contrapalavras: lendo pedaços singulares do mundo com Bakhtin. São Carlos: Pedro & João Editores, 2016, p. 310-312.

[4] Bakhtin tudo ou nada diz aos educadores: os educadores podem dizer muito com Bakthin. In: Freitas, M. T. (org.). Educação, arte e vida em Bakhtin. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013, p.16-17.

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APRESENTAÇÃO

Apresentar João Wanderley Geraldi é chuvisco em dilúvio. O tanto de textos já publicados dele, a quantidade imensa de palestras, conferências, bancas, aulas, falas de todo jeito, conversas, risadas, gargalhadas, abraços, inundam seus amigos, seus leitores, os que com ele participaram de pequenas e grandes revoluções, espalhadas por todo esse imenso país, e pelo exterior também. Revoluções profundas. Largas. Amplas. Nos sujeitos e nos seus que-fazeres. Digam ai se exagero?
Esse livro já estava organizado há uns dois anos ou mais. Mas o Geraldi sempre relutante... “Todos já conhecem esses textos...”; “há muita coisa repetida nestes textos...”; “esses textos já não interessam a mais ninguém...”. Bem, pra sabermos disso tudo só mandando esses textos andarem mais ainda pelo mundo, pelos olhos, pelas almas, pelos atos responsáveis e atos irresponsáveis. Continuar a revolução. Alargar as mentes, os corações, as relações. Deixar a palavra andar, circular. Palavra livre. Palavra provocante. Palavra vida.
Mais uma vez temos orgulho de participar dessa andança destas palavras do Geraldi. Que todos se aproveitem de sua força e da clareza possível de seus pronunciados e ditos. Queremos mais.
Boa leitura. Boa vivência!

Os editores

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