Inteligências e didática das línguas PE191364

Inteligências e didática das línguas

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Paolo Torresan !@
Inteligências e didática das línguas. São Carlos: Pedro & João Editores, 2020. 155p.
ISBN: 978-85-7993-792-7
1. Múltiplas inteligências - MIT. 2. Línguas. 3. Habilidades. 4. Didática das línguas. V5. Ensino e aprendizagem das línguas I. Título.
CDD – 410

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Apresentação[1]

 

 

 

Em primeiro lugar, preciso agradecer a honra de ter sido escolhida para apresentar o livro intitulado Inteligências e didática das línguas, de autoria de Paolo Torresan (UFF) e traduzido por Carmem Praxedes (UERJ). Essa honra ganha vulto após a leitura desse volume, por ser ele destinado a demonstrar a eficiência da Teoria das Inteligências Múltiplas (doravante MIT, Multiple Intelligence Theory), que além do frescor de sua novidade, amplia o espectro do trabalho docente, ao identificar os vários dispositivos e tipos de inteligência de que o homem dispõe para expandir-se no mundo.

Inteligências múltiplas é a designação de uma teoria desenvolvida por uma equipe de investigadores da Universidade de Harvard — EUA, liderada pelo psicólogo Howard Gardner, a partir da década de 1980.

Empenhados na busca de uma explicação mais apropriada para a inteligência, os achados desse grupo revolucionaram o campo da psicologia cognitiva quando ultrapassaram a noção comum de inteligência como "capacidade ou potencial geral que cada ser humano possui em maior ou menor extensão". Pôs-se em xeque a prática utilizada para medir a capacidade intelectual dos sujeitos por meio de testes de respostas curtas realizados, geralmente escritos.

De uns tempos para cá, o fato de a ideia de inteligência como grandeza estar sendo questionada pelos estudiosos colocou o assunto inteligência no foco das atenções do público em geral. A consequência imediata foi jornais e revistas populares passarem a adjetivar a inteligência como: emocional, coletiva, artificial, múltipla, criadora entre outros. No entanto, incluindo publicações que se tornaram campeões de venda, ao serem entendidas (e muitas o são!) como livros de autoajuda.

Os pesquisadores e críticos dessa concepção antiga e reduzida de inteligência inauguraram uma nova ótica para a questão e passaram a entender a inteligência como uma potencialidade para fazer muitas coisas, muito além de computar informações. A inteligência inventa projetos, pensa em valores, dirige a aplicação da energia pessoal, constrói critérios, avalia e realiza tarefas. Enfim é de fato uma capacidade múltipla.

Considerando a multidimensão da cognição humana, o psicólogo norte-americano passou a defender a hipótese de que a inteligência humana teria de ser observada como um conjunto muito mais amplo e universal de competências.

Os estudos mais recentes têm negado a existência de uma inteligência única, uniforme, igual para todos. Defendem uma multiplicidade de inteligências, cujo contexto dá destaque à teoria das inteligências múltiplas proposta por Howard Gardner.

A teoria de Gardner sobre a inteligência humana o levou a concluir sobre a existência de oito tipos de inteligência. Todavia, o fato de a maioria das pessoas manifestar apenas uma ou duas inteligências desenvolvidas, é o que explica um indivíduo ser muito bom em matemática e péssimo em geografia, por exemplo. Raramente uma pessoa apresenta as oito inteligências desenvolvidas. Um destes casos raros que são vistos como genialidade é Leonardo da Vinci, que foi um excelente pintor, botânico, matemático, anatomista e inventor. No cenário brasileiro, temos o exemplo de múltiplas inteligências demonstrado por Santos Dumont.

 

Conhecido internacionalmente pelo voo de seu 14bis, há 110 anos, Alberto Santos Dumont também se destacou por invenções bem menos lembradas – mas nem por isso menos importantes. Foi o autor, por exemplo, de um modelo que consagrou o uso do relógio de pulso; o primeiro a desenvolver um hangar e a trazer um carro ao Brasil. Bolou um sistema pioneiro de chuveiro de água quente; instituiu, em Paris, a primeira corrida de mototriciclos e criou um esqui mecânico para escalar montanhas. Da mente criativa do inventor mineiro surgiu até um aparelho bastante inusitado, com o objetivo de ofertar petiscos diante de cães de corrida e promover a rapidez dos animais.[2]

 

O contrário não é verdadeiro. Por isso jamais se encontrou alguém completamente nulo de inteligência. Como Leonardo da Vinci e Alberto Santos Dumont, há pessoas que já nascem com as inteligências inscritas em seu código genético em nível avançado. Todavia, a maioria dos seres humanos precisa ser estimulada, para que seu múltiplo potencial de inteligência possa despertar e desenvolver-se. Nesse ponto destacamos o livro de Paolo Torresan.

Retomadas as palavras iniciais da Introdução, assinada por Rinvolucri e reiterada por Balboni[3], “«Os professores habitualmente se esquecem de que os estudantes têm um corpo»: é a acurada observação que Torresan faz na abertura do livro, retomando-a por um de seus referenciais científicos, relacionando-a a uma inteligência pouco aproveitada na escola, a corporal”. No entanto, a exploração didática trazida à cena por Torresan deve considerar as inteligências: espacial (de localização no tempo e no espaço); lógica (facilidade de cálculo e previsão, rapidez de raciocínio e produção de conclusão); musical (habilidade de percepção sonora, cuja aplicação no cotidiano vai muito além da identificação de uma buzina ou de um latido, pois se aplica à percepção dos fonemas das línguas); intrapessoal (quanto ao autoconhecimento); interpessoal (facilidade de interação com os pares) e naturalista (voltada à análise e compreensão dos fenômenos da natureza: físicos, climáticos, astronômicos, químicos e ainda se exprime por comparação de conjuntos, mesmo que artificiais, como as línguas.

A exploração didática dessas inteligências (capacidades, potencialidades) é a concretização de um ensino inovador, em que a interdisciplinaridade emerge de cada uma das inteligências ativadas nas tarefas e seu indispensável cruzamento; deste resulta uma aprendizagem efetivamente global, multifocal, além de altamente estimulante, uma vez que explora todo o potencial cognitivo do estudante, inclusive suas habilidades (mentais e mecânicas) no caso em questão, que é o ensino de línguas. A relevância da MIT para a educação é tão grande que deu origem a trabalhos como “Múltiplas inteligências na prática escolar” [4] no Caderno da TV Escola, n. 1, 1999.

Howard Gardner afirma que a inteligência é “o potencial biopsicológico de elaborar informações que provêm de um determinado contexto cultural, a fim de resolver problemas ou criar produtos aos quais, dentro do mesmo contexto cultural, é atribuído valor”. Por conseguinte, não é possível que a escola permaneça restrita na persecução de objetivos cujos pontos de partida e chegada sejam as palavras.

Como esclarece Torresan, a MIT vem evoluindo. Originalmente com sete e agora com oito modalidades mais uma – a inteligência existêncial (ainda em processo de validação) – comprova que o número de competências que pode ser associado à inteligência não é definitivo, nem é o centro da teoria. Importa perceber o caráter múltiplo da inteligência e a possibilidade de que suas manifestações engendram algo como uma teia de relações, tramadas entre as várias dimensões possíveis, abandonando então a ideia de que a inteligência poderia ser medida e representada por grandezas finitas (notas, conceitos numéricos ou por letras, etc.) ou como um conjunto de habilidades isoladas.

É Torresan ainda quem afirma: “A inteligência é uma potência que se traduz em ato por uma série de fatores inerentes, geralmente em um ambiente educativo e/ou familiar particularmente estimulante”. Explica o autor que as inteligências apresentam curvas de desenvolvimento distintas e que “Por exemplo, enquanto a inteligência linguística e a espacial podem manter-se íntegras até a velhice, a inteligência lógico-matemática atinge o zenith na primeira idade adulta”. Segundo esse raciocínio, o professor de línguas deve assenhorear-se dos estágios do desenvolvimento cognitivo dos estudantes, para ter uma média desse estágio e então poder preparar atividades que mobilizem as capacidades que se destacam em cada etapa da vida humana.

Torresan compõe uma metáfora excelente quando trata as teorias da inteligência como perspectivas que olham um mesmo objeto de vários pontos de vista. E é dessa maneira que o docente precisa observar o seu aluno e, para propor atividades adequadas, planejá-las com a mesma ótica, para que possa estimular a entrada em atividade de mais de uma inteligência, em regra aquelas implicadas na solução dos problemas trazidos pela atividade proposta.

Em seu claro propósito de auxiliar a melhoria da qualidade da docência de línguas, Torresan traz ao diálogo a visão histórica como a de Piaget, Bruner, Binet, Simon, entre outros. Traz as contribuições Stanford-Binet, Sperry, Gazzaniga, Hubel e Wiesel e vai desfiando as trilhas por onde os estudiosos da inteligência foram elaborando teorias, testes, enfim, caminhos que pudessem contribuir com a inteligência da inteligência.

Paolo Torresan nos oferece um brinde às descobertas psicocognitivas e psicopedagógicas para dar continuidade ao percurso do entendimento de como a cognição funciona no ato de aprender/apreender algo, isto é, como funciona a inteligência na prática didática das línguas.

 

 

Darcilia Simões

 

Líder do Grupo de Pesquisa

Semiótica, Leitura e Produção de Textos

 — SELEPROT/UERJ



[1] NT.: Essa apresentação foi especialmente escrita para a tradução brasileira, não compondo o original em italiano.

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