A EDUCAÇÃO NA VIDA E A VIDA NA EDUCAÇÃO: uma abordagem histórico-cultural PE959456

A EDUCAÇÃO NA VIDA E A VIDA NA EDUCAÇÃO: uma abordagem histórico-cultural

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Patrícia L. M. Pederiva (Organizadora) !@
A educação na vida e a vida na educação: uma abordagem histórico-cultural. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 197p.
ISBN 978-85-7993-681-4
Educação; Vida; Vigotski; Teoria Histórico-Cultural; Diversidade.
CDD – 370

R$ 30,00

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PREFÁCIO
Quando recebemos o convite para escrever o prefácio desta publicação, fomos tomados de uma imensa alegria, pela oportunidade de participar de um registro das reflexões e experiências deste ciclo pelo qual passa o PET-Educação da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, ao lado da professora tutora Patrícia Lima Martins Pederiva. Ao longo dos anos, partilhar com estas pessoas os ambientes de estudo, de pesquisa e a convivência cotidiana tem sido uma inspiração e um rico aprendizado, sendo para nós um privilégio acompanhar todo o processo que chega até esta obra. Tratar de educação com rigor acadêmico e afetivo significa, a partir da Teoria Histórico-Cultural de Vigotski, base teórica praticada pelo grupo PET – Educação, entender Educação como o desenvolvimento humano na cultura. Isto significa que todas as experiências, desde a infância, e a forma como orienta-se a reação a elas com o suporte das possibilidades oferecidas pelas pessoas e contexto cultural, vão dando forma ao comportamento, ao modo de estar no mundo. Assim, o sentido da educação é possibilitar o maior número de experiências da forma mais diversa e heterogênea, oferecendo um ambiente em que se permita criar, tentar, arriscar, para uma reflexão de si na relação com o mundo e, finalmente, para uma orientação de si na sua relação com o mundo.

Esta perspectiva de educação está acompanhada de uma concepção que percebe a pessoa humana em movimento: não apenas o movimento que acompanha o crescimento e a maturidade de bebê à vida adulta, mas também o movimento pelo qual se passa ao longo das afirmações, oposições e contradições dos encontros e da cultura, e que podem transformar radicalmente aquilo que há pouco era tido como inquestionável. A pessoa humana, portanto, é um ser de possibilidades, em que o ambiente oferece situações e experiências que colocam transformações na iminência de acontecer, podendo afirmar ou transformar o comportamento. Não há neste horizonte espaço para as ideias de pessoa e de educação que proponham a determinação do comportamento, adestrar o corpo, cercear a livre expressão, oprimir as vontades, doutrinar a consciência, condicionar o intelecto, entre muitos dos outros objetivos de educação propostos segundo concepções opressoras e utilitaristas. A pessoa humana, como ser de possibilidades, é entendida como ser de livre expressão – intelectual, afetiva, corporal – e que, entendendo-se desta maneira, comporta-se de maneira ética para não cercear a livre expressão de outra pessoa.

Estes pontos de vista são enunciados e trabalhados nas páginas desta obra. Pelas palavras desta obra, trabalha-se a concepção de que as pessoas agem, educam-se e comportam-se de maneira diversa, sem que o estabelecimento de quaisquer padrões normativos sejam tomados como caminho inevitável para o desenvolvimento. E, ao trazer aqui a palavra diversidade, refere-se a instâncias além dos lugares comuns com que tem sido usada nos espaços políticos recentes; a diversidade não é entendida como oposição à norma. Pelo contrário, a diversidade é o princípio do desenvolvimento humano, do comportamento, e das culturas que se atravessam em sociedade. A diversidade é a característica de todo encontro entre pessoas ou grupos de pessoas, através da alteridade e da empatia ante pessoas diferentes, com histórias diferentes, corpos diferentes, sensibilidades diferentes, especialmente em um espaço educativo, em que devem colaborar juntas para que todos os polos que compõem a unidade do encontro extraiam, mutuamente, o melhor de si. Qualquer tentativa de normatização, portanto, manifesta-se contra a educação, contra o desenvolvimento e, em última instância, contra toda a existência. Ao passo que é possível a tentativa de sufocar, oprimir e ignorar a diversificação, como muitos projetos de poder o fazem através da educação, o PET-Educação procura reconhecer, refletir e amparar em teoria, prática e ação política, a diversidade como condição da própria existência humana.

Por este conjunto de entendimentos, compreende-se que a educação, em sua prática e seus desafios, não é sinônimo de escola, e vai muito além desta. Entretanto, como uma instituição central para a modernidade, que monopoliza o ideário de relações com o saber, e que é tida socialmente como o local destinado para a instrução, a escola contém em si um conjunto determinado de procedimentos, de conhecimentos e de projetos de futuro, de forma que também deve ser refletida, analisada e criticada com rigor. Seu local é tão estratégico e central para a modernidade que as práticas que caracterizam a escolarização irradiam para todos os setores da sociedade em qualquer relação com o saber. E esta instituição possui uma forte contradição: por um lado, entendimentos e protocolos rígidos sobre a prática educativa, sendo também um microcosmo da sociedade, com todas as suas opressões, normas arbitrárias e assimetrias; por outro lado, é local que recebe bebês, crianças, adolescentes, jovens e adultos com todas as suas trajetórias e potencialidades sendo então, também, um espaço de possibilidades. Com a intenção de abalar as certezas e imposições da educação e da escolarização, este conjunto de textos procura trabalhar com o desenvolvimento humano, pautado na diversidade, para caminhos de reflexão e transformação de todos os espaços educativos, inclusive os espaços escolares.

O presente livro é composto por artigos escritos por estudantes, profissionais da educação em formação, e por profissionais da educação recém formadxs. E este é mais um exemplo de transgressão do PET-Educação e da professora Patrícia Pederiva frente aos lugares comuns da academia. Usualmente privilegia-se a publicação de obras de pesquisadorxs com títulos de pós-graduação – mas isso não quer dizer nada, por si só, da qualidade das reflexões que estão em qualquer obra. É necessário destacar que nesta etapa da formação profissional superior, xs estudantes são interlocutorxs privilegiadxs para entender as dificuldades, contradições e possibilidades da educação e, ao mesmo tempo, da formação em educação. É, portanto, uma importante referência para conhecer aquilo que se identifica entre críticas e possibilidades das suas experiências escolares, das expectativas e frustrações de estágios, do curso superior, da prática profissional e da própria ideia em movimento do que pode ser a educação, de como lutar por ela, de como alcançar formas de exercer a função social dx professorx, que é possibilitar o desenvolvimento humano em sua plenitude, torná-lo possível mesmo em processos educativos dados num ambiente institucionalizado. Acima de tudo, são admiradxs e respeitadxs profissionais pensadorxs da educação.

Dedicando-se igualmente ao ensino, pesquisa e extensão de forma intensa e valente, o PET-Educação junto à professora Patrícia Pederiva faz os necessários enfrentamentos, não foge das reflexões, desbrava, corre atrás de viver, de experimentar, de estudar, de refletir, porque compuseram, em conjunto, consciência da responsabilidade da profissão que escolheram, do ato de serem professorxs. Entre tantos outros, destacamos alguns marcos que deram identidade e coesão ao grupo, ao mesmo tempo ofereceram profundidade na experiência profissional, que enchem de inspiração qualquer profissional da educação.

Ao longo de sua trajetória, o grupo se organizou para a luta em nome das estudantes não só da pedagogia, mas de toda a universidade. Este foi o trabalho a respeito das estudantes mães da Universidade de Brasília com pesquisas de levantamento do número de estudantes, identificação dos seus direitos, em aliança com outros grupos de estudantes, com coletivos de estudantes, com outros PETs da universidade, além de grupos fora dos espaços da universidade. Nestes esforços, conquistaram uma sala de acolhimento para estudantes mães com suporte para amamentação e cuidado com as crianças, local há muito tempo desejado pelas estudantes da UnB. Produziram material empírico e teórico a respeito desta jornada, problematizando os temas educação, mulher, maternidade, gênero, suporte institucional, entre outros. Realizaram estágios, atividades e acompanhamentos na Casa de Ismael – Lar da Criança. Esta é uma experiência importante, porque ocorre em uma instituição conveniada da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal que oferece educação básica, ao mesmo tempo que é lar de acolhimento institucional para crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade oferecendo, além de educação, assistência e orientação profissional. Realizando trabalho comprometido junto à Casa de Ismael, foi oferecido ao PET um local de trabalho complexo e desafiador para a sua formação, abarcando a educação, mas também suas articulações com concepções de sociedade, família, infância e adolescência, identidade e direitos sociais. Além disso, o grupo não se esquivou da responsabilidade de discutir diversidade dentro da instituição universitária, abrindo espaços de conversa; rodas de estudo; e a realização do I Seminário de Diversidade da Faculdade de Educação, organizado pelos estudantes do PET junto à professora Patrícia Pederiva, abordando a educação pública, raça, classe, gênero e sexualidade, infâncias juventudes e preconceitos, tanto no aspecto crítico quanto nas suas possibilidades propositivas, resultando, além de um evento excepcional, material acadêmico como monografias e artigos. Estes são alguns exemplos das formas de como este grupo vivenciou com excelência o ensino, pesquisa e extensão, credenciais importantes para localizar ainda melhor a importância da presente obra.

Este livro é mais um dos resultados de todo esse processo, e é uma cristalização que traduz o PET-Educação como um grupo que busca (e pratica) a educação por outros olhares, outras experiências, para uma outra consciência, outra escola. É uma leitura necessária para toda pessoa que se preocupa com a educação, de estudantes, professorxs e interessadxs, para que práticas enrijecidas não continuem a se repetir e violentar seres humanos em suas possibilidades, para que os caminhos de respeito e reflexão aberta e honesta continuem a ser abertos e trilhados. Para nós é uma imensa alegria acompanhar todo este processo, desde a primeira configuração do grupo até a presente obra. É um privilégio acompanhar estxs parceirxs, amigxs, em um ambiente de crescimento mútuo, respeitoso, amoroso, receptivo, afetuoso. É encantador ter estas pessoas como parceiras entre profissionais da educação. É uma honra poder contribuir com esta obra, pela qual temos tanta estima, respeito e admiração.

Carinhosamente,

Daniela Barros Saulo Pequeno

Pedagoga e Antropólogo. Mestrxs em Educação. Doutorandxs em Educação pela Universidade de Brasília.

Brasília, 15 de maio de 2019

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