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Entre o claro e o escuro - uma poética da angústia em Saramago

Entre o claro e o escuro - uma poética da angústia em Saramago

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A vasta obra de José Saramago tem sido merecedora, já há três décadas, de um conjunto de leituras críticas que, ao longo desse tempo, veio propondo e consolidando algumas portas de entrada a esse universo imaginário de inquestionável riqueza, criado pelo escritor português, as quais levam, quase invariavelmente, ao que se pode considerar o seu grande tema: o homem – e o seu “estar no mundo”. Seja na primeira grande fase de sua escrita, anunciada com o romance Manual de Pintura e Caligrafia, publicado em 1977, a que se seguiu Levantado do chão, de 1980, que lhe deu o reconhecimento público cujos romances seguintes só vieram ampliar e confirmar – fase em que as relações da ficção com a história de seu país ganham corpo numa série de romances cuja leitura, hoje, se faz obrigatória a todos que desejam melhor conhecer sua obra; seja na fase que se inicia com O evangelho segundo Jesus Cristo, de 1991, em que o autor se desliga de uma reflexão mais imediata sobre seu país, voltando-se a representações ficcionais de temas que se podem considerar como mais “universais”, os romances de Saramago sempre acolheram uma diversidade de interpretações que se ancoram justamente nas inúmeras potencialidades de leitura que, é certo, caracterizam a grande obra literária - aquela que, indiscutivelmente, permanecerá pelos tempos e espaços ganhando sempre novos significados, todos eles dialogando, em suas convergências e especificidades, e contribuindo para revelar, a cada nova leitura, facetas às vezes ainda não suficientemente exploradas, outras surpreendentes, e outras ainda que apontam para a necessidade de uma constante revisão dos pressupostos críticos e teóricos que dão consistência e validade ao exercício interpretativo. Em paralelo a esse apelo interpretativo que toda obra de arte propõe, exigindo de seus intérpretes que mobilizem sua atenção, sua sensibilidade, seu conhecimento de mundo e do instrumental teórico-crítico adequado (quando se trata da leitura realizada no âmbito acadêmico), é importante lembrar que a literatura contemporânea, por si só, apresenta outra camada de desafios interpretativos, por ser aquela produção que podemos, muitas vezes, acompanhar “fazendo-se” e que responde de modo mais imediato às nossas próprias expectativas em relação ao mundo em que vivemos. Essa singularidade do contemporâneo torna ainda mais complexas as leituras críticas que se propõem sobre a produção artística que o caracteriza, justamente por ela “estar conosco”, carecendo, ainda, de uma interpretação em certo sentido mais “totalizadora” – aquela que, de algum modo, o distanciamento temporal pode permitir de modo menos problemático, ou menos arriscado. Pois de nenhum desses riscos esquiva-se Jacob dos Santos Biziak em seu texto Entre o claro e o escuro: uma poética da angústia em Saramago, apresentado primeiramente como tese de doutorado e que agora se consolida em livro: insere-se na vasta crítica saramaguiana, propondo uma porta de entrada em boa medida original e surpreendente, pela base teórica que elege e pelo corpus sobre o qual a projeta; enfrenta o desafio da contemporaneidade, como já vinha fazendo desde seu trabalho de iniciação científica, sempre preocupado com questões inerentes ao estar no mundo contemporâneo, como a crise do sujeito, a problemática da verdade, a dominância da linguagem; e mais: traz ainda novas problematizações, ao embrenhar-se nas searas da filosofia e da psicanálise, fazendo de Kierkegaard e de Freud seus principais condutores no caminho que, desta vez, o levará a uma reflexão sobre a angústia como força propulsora da ficção de Saramago. Os resultados significativos que seu trabalho alcança constituem uma contribuição importante não só no que diz respeito à fortuna crítica do celebrado escritor português mas também no que se refere à proposição de uma conjunção produtiva entre bases teóricas que nos podem parecer a princípio incompatíveis, ou ao menos de problemática convergência, que Jacob sabe explorar com cuidado e respeito, mas também com ousadia, sempre apontando o foco para o texto literário que lhe importa desvelar. Nesse sentido, seu texto acaba por dialogar de forma sensível e talvez até insuspeita com o poema que abre esta breve apresentação: também nele materializa-se um desejo de conhecimento de si, do outro e do mundo, uma busca pelo sentido das coisas que anseia pela totalidade, pela conjunção entre o sujeito e a natureza de que faz parte, pela liberdade que só a busca infatigável desse sentido parece poder proporcionar. A angústia, nesse contexto, mostra-se não como um entrave paralisante, mas como impulso à ação criadora. E essa energia move a vida assim como move a literatura: essa outra vida que tem o poder de revelar mais de nós a nós mesmos. Márcia Valéria Zamboni Gobbi UNESP – Campus de Araraquara Departamento de Literatura – Pós graduação em Estudos Literários

Informações Adicionais

Autor Jacob dos Santos Biziak
Ano de Publicação 2016
Páginas 190
Tamanho 16 x 23
ISBN 978-85-7993-312-7

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