Mulheres na pandemia PE248437

Mulheres na pandemia

Ref.: PE248437 Compra Segura

Anete Abramowicz; Margareth Brandini Park [Orgs.] !@
Mulheres na pandemia. São Carlos: Pedro & João Editores, 2020. 129p.
ISBN 978-65-5869-106-8 [Impresso]
978-65-5869-138-9 [Digital]
1. Mulheres. 2. História de vida. 3. Pandemia. 4. Relatos. I. Título.
CDD – B869

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De encontros e de Afetos

 

 

 

“ficou só o Guimarães Rosa teimando no meio, ‘mesmo da mesmice, sempre vem a novidade’. Que venham, então outros e novos tempos”. (Maria Teresa Santos Cunha)

 

Em março a normalidade anômala do Brasil foi quebrada. A COVID-19, doença causada pelo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, chegou entre nós. Confinamento, distanciamento social, higiene das mãos, cuidado ao tocar em todas as superfícies... E anunciou-se que o risco maior de morte está entre a população acima de 60 anos. Esta idade passou a ser considerada “população de risco”. Uma experiência social inédita acomete todas as gerações, que jamais viveram uma crise sanitária de tal magnitude, embora a história registre importantes e graves pandemias, entre elas: Peste Negra, Bubônica (1347/1351), Varíola (1521), Gripe Espanhola (1918/1919), Tuberculose (1850-1950), Tifo (1918-1922) e, mais recentemente, AIDS (1980), entre outras. Com alto poder de contágio, o COVID-19, por onde passa, como uma luz, ilumina, a desigualdade brasileira, com intensidade tal que quase nos cega. Uma atmosfera social de miséria, pobreza e luto se propaga como um gás pela atmosfera social brasileira que, de alguma maneira, adoece muitos(as).

Há que se reter esta experiência. Isto que vivemos não pode ficar sem registro, sem história. O esforço de algumas mulheres para guardar e contar esta experiência gerou Mulheres na Pandemia, uma obra de encontro de afetos. Afetos tristes, melancólicos, de revolta, tristeza e luto em meio à pandemia.

Quando a história nos impõe acontecimentos inusitados, dramáticos, como as guerras, as perdas, as pandemias, os massacres, há um desafio enorme de fazer brotar a vida, e com ela a poesia e a alegria. Nesta hora colocamos em xeque a linguagem. Seremos capazes, ou a linguagem será capaz de, nestes momentos em que a própria existência se põe em xeque, designar ou estar à altura do acontecimento para expressar com palavras a dor que sentimos, ao sermos confinadas? Por que mulheres escrevendo sobre a pandemia? Porque ser confinada ao lar, depois de anos de luta das mulheres para ocupar o espaço público, é uma inflexão não só de cada mulher, mas da história social das mulheres que lutaram para sair do espaço doméstico. E, mais do que isto, a estrutura do lar mantém relação com o machismo, o patriarcalismo, além de ser uma estrutura violenta, como nos mostra o aumento estatístico de violência contra as mulheres.

Escrever este livro é uma maneira de sair coletivamente do confinamento, de manter a relação com o exterior, com outras mulheres, inclusive com aquelas que não puderam se confinar, pois não tinham um lar. Foi este esforço que fizemos, ao compor esta obra: manter-nos no espaço público e resistir, mesmo que confinadas, é o que aqui pretendemos contar. Mulheres cujas trajetórias foram marcadas pela vida pública, agora confinadas ao lar. Algumas dessas mulheres relatam sua experiência: nunca tendo sentido sua idade como um risco, passaram a compor a “população de risco”, a população que não pode, de forma alguma, se expor! Cada uma das mulheres encontrou um mundo para viver nestes tempos: cozinhar, fazer o pão, escrever, reler, mexer nas caixas, nos livros – artimanhas para reter o tempo e não deixá-lo escapar; vasculhar a memória, sua própria história... Outras mulheres deste livro foram atravessadas em meio à pandemia por luto e morte e, isoladas, tiveram que lidar com esta experiência.

Este momento exige que não o deixemos sem palavras, é grave demais para que não seja contado – e por nós, mulheres, que sabemos o que é o confinamento no lar. Fomos trancadas do lado de dentro, e por nós mesmas. A pandemia exigiu de nós atitudes, e descobrimos, também por este esforço de compor o livro, que, mesmo no confinamento, podemo-nos colmatar, extrair, desta experiência, um fora. Esta obra, ao contar a experiência e os territórios existenciais inventados por nós, Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Madalena Freire, Maria Teresa Santos Cunha, Maíra Tanis, Tetê Espíndola, Sara Wagner York, Eronilde de Souza Fermin, Maria Aparecida Affonso Moysés, Cecília Azevedo Lima Collares, Margareth Brandini Park e Anete Abramowicz, pretende vincular-se, narrar, resistir, gritar, chorar, rir, escrever, para contribuir com a história das lutas das mulheres que, muitas vezes, encontram na arte uma forma de insurgência – e, neste caso, de desconfinamento. Heloisa Bortz, fotógrafa, acompanhou-nos nesta empreitada: suas fotos são imagens das mulheres que vivem em plena plenitude.

Em Walter Benjamin narrar é insistir na vida ou experimentar e, igualmente é dar corpo à experiência que nos constitui, nos conforta e nos destranca de /por dentro.



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