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Bakhtin e a Educação: a ética, a estética e a cognição

Bakhtin e a Educação: a ética, a estética e a cognição

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O pensamento bakhtiniano na educação Nos anos 1970, sob os auspícios do tecnicismo em educação, os livros didáticos de Língua Portuguesa foram invadidos pela teoria da comunicação. Lá estava o mesmo desenho da interação entre um emissor e um receptor que está no livro clássico de Saussure. Ainda que análises estruturais estivessem muito ao gosto do tecnicismo educacional, nem por isso, em sã consciência, alguém diria que a escola teria adotado, no ensino de língua materna, o pensamento saussureano. Não é o que acontece atualmente. A introdução dos “gêneros do discurso” como objeto de ensino, a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais, fazendo referências ao texto de Bakhtin sobre o assunto, faz crer que “o pensamento bakhtiniano” está na escola e nas salas de aula de língua materna. Reduzir o pensamento de Bakhtin e de seu Círculo à questão dos gêneros é, no mínimo, desonesto. Imaginar que uma concepção de linguagem como aquela que ele defende, que sua absoluta defesa do enunciado concreto em seu contexto de realização é o objeto dos estudos da linguagem, esteja resumida na concepção de gênero é desconhecer outros aspectos do seu pensamento que necessariamente levados em conta poderiam tornar a aprendizagem dos gêneros algo muito mais sensato do que aquele incorporado pelas propostas em circulação no país. Imaginar uma sequência didática sobre um gênero discursivo, tomando uma realização concreta deste gênero como objeto de compreensão, extraindo dele suas características temáticas, composicionais e estilísticas, e fazendo referência à esfera de comunicação em que o gênero circula, é extrair do mundo da vida um objeto pálido, desvesti-lo de suas condições concretas de produção e recusar-se a um mergulho de penetração profunda no texto lido para deixar levar-se por aspectos formais. Mais ainda: é uma aposta de que os sujeitos sociais são incapazes de aprender gêneros discursivos pelo convívio com eles ao transitarem pelas diferentes esferas da comunicação social. Já vi livros didáticos que gastam cinco páginas para explicar o gênero “receita” para concluir no final que uma receita sempre está dividida em duas partes: os ingredientes e o modo de fazer! É muito investimento para saber o óbvio. Agora, o uso do formato “receita” para fazer um poema e os sentidos destes cruzamentos não fazem parte das “sequências didáticas”, expressão trazida ao mundo contemporâneo extraída das concepções tecnicistas de educação, já criticadas de sobejo nas ciências da educação desde os idos dos anos 1970! Até parece que as expressões não têm história, bem ao contrário do que ensina o pensamento bakhtiniano. Neste livro de Fabiana Giovani e Nathan Bastos de Souza há outra perspectiva. Antes de mais nada, iniciam sua apresentação perpassando pela obra do Círculo de Bakhtin. Isto porque, se quisermos que seu pensamento entre para as salas de aula, precisaremos destruir antes de mais nada a hierarquização das relações que sustentam as práticas escolares, em que a relação de ensino se faz de forma a subordinar o estudante. Nada mais longe do que o conceito de diálogo de Bakhtin. Nada mais longe de seu conceito de alteridade, espaço do enriquecimento dos sujeitos, porque constituído pelo outro, somos enriquecidos pelas diferenças (não pelas desigualdades, obviamente). A leitura das primeiras partes deste livro nos dão uma síntese das perspectivas bakhtinianas e mostram o quanto estamos longe de seu pensamento quando ensinamos um gênero – fora de sua esfera de circulação – explicamos o gênero e exigimos que o estudante produza um texto (dentro da escola e portanto fora da esfera de circulação do gênero em estudo) no gênero ‘aprendido’. Aliás, nada mais tradicional do que esta orientação nas relações de ensino: o sistema, através do currículo e hoje mais ainda através das provas de avaliação, define o que deve ser ensinado até determinada etapa da escolaridade; o livro didático organiza a lição ou o professor elabora uma ‘sequência didática’ apoiado na bibliografia disponível; leva para a sala de aula e ensina este objeto, para depois verificar se o objeto foi aprendido numa redação dentro dos moldes do gênero. Falo redação, porque neste contexto não há produção de textos, pois esta envolve o sujeito e sua escolha de estratégias para dizer o que tem para dizer a alguém. Este formato de ensino: oferta do modelo, preenchimento do modelo pelo estudante, já foi criticado muitas vezes nas pesquisas linguísticas que tomaram textos de vestibulandos para análise. Cláudia Lemos, no texto bastante conhecido e aqui retomado pelos autores do livro, diz que o autor usa de “estratégias de preenchimento” de um modelo de texto suposto adequado. Ora, o que estamos fazendo ao ensinar um gênero e exigir uma redação no gênero é precisamente o desenvolvimento de estratégias de preenchimento. É por isso que Fabiana Giovani e Nathan Bastos de Souza recusam este ensino e este formato de relação de ensino, defendendo uma tese forte: gêneros do discurso não se ensinam; vive-se dentro de gêneros do discurso. Se não bastasse a apresentação que fazem do pensamento de Bakhtin; se não bastasse o diálogo (muitas vezes conflituoso) que fazem com outros autores que se debruçam sobre as questões do ensino de língua materna; se não bastasse a recusa a uma escola que não se vê a si mesma como agente social e não se preocupa com a formação de sujeitos sociais interferentes em seu contexto, a tese que orienta o dizer dos autores seria suficiente para nos levar à leitura deste BAKHTIN E A EDUCAÇÃO: A ética, a estética e a cognição. Barequeçaba, 14 de setembro de 2014. João Wanderley Geraldi

Informações Adicionais

Autor Fabiana Giovani & Nathan Bastos de Souza
Ano de Publicação 2014
Páginas 186
Tamanho 14 x 21
ISBN 978-85-7993-220-5

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