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Amazônia, território e educação: migrações e políticas públicas

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PREFÁCIO

 

      O presente livro organizado teve como intenção, buscar a produção de conhecimento nos diversos lugares da Amazônia, estabelecendo um diálogo interdisciplinar sobre temas considerados fundamentais no pensamento social da região. Os capítulos que o compõem abarcam áreas diversas do conhecimento que interpreta não apenas uma Amazônia, mas as diversas Amazônia, tendo como eixo as migrações e políticas públicas. Vale salientar que a Amazônia sempre foi e será um tema presente nas discussões acadêmicas mediante suas dimensões, transformações e metamorfoses ocorridas desde a sua descoberta e redescobertas. Nesse limiar, suas dimensões métricas em floresta, água, clima, relevo, espécie animal e vegetal, fazem dela uma das principais zonas de biodiversidades da Terra.

      A Região Amazônica desde a sua descoberta foi vista como um território vasto, rico e como um enorme vazio demográfico. Tal vazio o tornava frágil e passivo para invasões. Portanto, a política planificada de ocupação fez valer o lema ocupar para não entregar, provocando grandes transformações demográficas, econômicas, sociais e culturais na região em questão. Por sua vez, o território amazônico com seus imensos espaços exuberante de vida e rica em diversidade, despertou a conquista e exploração desde a chegada dos europeus. Sem apresentar tanta resistência, ofereceu o horizonte ideal para expansão das mais diversas atividades visando atender ao capital, alterando a paisagem da região de maneira seletiva e discriminante. Obviamente, a metamorfose que altera a paisagem da Amazônia se dá por políticas públicas implementadas a partir dos pesados investimentos do Estado em infraestrutura, estímulo a migração, incentivo a exploração mineral e vegetal, distribuição de terras, incentivos ao agronegócio – nova fronteira agrícola e por último, a industrialização.

      Nesse contexto, vale lembrar que as políticas de desenvolvimento pensadas para Amazônia pelos teóricos da geopolítica militar e da geografia em si, foram quase todas retiradas do papel, ou seja, realizadas, ainda que os interesses e cenários tenham sido alterados ao longo da história em termos de conquista e satelitização. Todavia, nos dias atuais, visando atender ao capital, o interesse maior é a integração transfronteiriça e continental da região aos demais mercados do mundo. Nesse limiar, fazer pesquisa e organizar conhecimento de maneira didática e pedagógica é um desafio em qualquer lugar do mundo. Seja pelas dificuldades de conseguir insumos (sobretudo nas Ciências Humanas e Sociais, cujas metodologias ultrapassam e extrapolam o cartesianismo presente nos demais ramos das ciências) ou pelo entendimento de que em humanidades, o percurso é tão ou mais importante do que o ponto de partida e o ponto de chegada. As variáveis são determinadas pelos contextos, pelos sujeitos e suas trajetórias.

      Estas peculiaridades interpretadas à luz dos contextos amazônicos fazem da pesquisa em Rondônia, nos territórios em disputa da Universidade Federal de Rondônia, quase uma profissão de fé. Os editais e apoio a pesquisa (inclusive dos órgãos oficiais de fomento a pesquisa, como a FAPERO/Fundação de Apoio a Pesquisa de Rondônia) pautam-se por temas regulados pelo "Deus" mercado: pesquisas relacionadas ao agronegócio, as tecnologia da informação e comunicação, produção de patentes médicas e exploração das riquezas da floresta, sobrepõem a temas voltados para projetos educativos do Estado, formação de professores, perfil de sociedade e de avanços necessários para se chegar à sociedade utópica desejada e necessária. Some-se a isso uma trajetória escolar e as políticas educacionais implementadas que provocaram mudanças na educação brasileira ao longo do tempo no Brasil. Essas mudanças, em casos raríssimos, melhoraram o desempenho das escolas públicas. Porém, as escolas particulares protagonistas de uma educação produtivista, financiada por sua clientela de poder aquisitivo melhor, apresentam melhores resultados nos exames vestibulares.

      Portanto, existe uma diferenciação na conquista de vagas no Ensino Superior, ou seja, raramente veremos acadêmicos egressos de escolas particulares nos Cursos de Licenciaturas. Desse modo, faltam profissionais do ensino identificados e fortalecidos em sua identidade docente. Outro grande desafio aos cursos de licenciatura nas universidades públicas é a falta de investimentos na formação de professores e professoras. Nesse sentido, existem duas variáveis a ser considerada. Primeiramente, o acervo bibliográfico disponível geralmente não é atualizado e muito menos franqueado aos alunos, a falta de disponibilização de recursos para iniciação científica e a necessidade de conciliar os estudos com o trabalho. Por conseguinte, por parte do aluno, existe a dificuldade de entendimento e interpretação dos textos acadêmicos - fruto da deficiência escolar, a falta de interesse em participar de grupos de pesquisa e de leitura, não tem estimulo de pesquisar, escrever e publicar artigos científicos.

      Portanto, está traçado o panorama que predomina em especial em Rondônia. Os autores e autoras aqui são alunos e alunas, professoras e professores que têm como marca identitária uma trajetória de trabalhador, lutador e pobre. Em grande medida, oriundos de escola pública. Como colocado antes, divididos entre sua formação e a necessidade de sobreviver em meio aos percalços que cercam o desenvolvimento da formação acadêmica. Alguns, só conseguem ler um pouco a partir de cópias reproduzidos sabe-se lá a que custo. Muitos nunca leram uma obra em sua totalidade: apenas o excerto solicitado pelos professores e professoras. E não fizeram porque não quiseram, mas por falta absoluta de condições materiais. Não se trata aqui de vitimizar o aluno nortista, ou seja, trata-se de justificar e valorizar os textos explicitando os contextos em que foram produzidos. Os cenários e contexto da Região Amazônica e as políticas públicas voltadas para educação impõem desafios aos alunos, alunas, professores e professoras autores nesta coletiva. Ou seja, para realizar sua formação, participar de reuniões dos grupos de estudos no sentido de projetar, desenvolver e finalizar uma pesquisa, muitas vezes tiveram de fazer escolhas de ordem econômica. Dessa forma, abre mão de uma realização pessoal para investir seu capital pessoal na realização do trabalho de campo, nas refeições durante o campo, aquisição de livros, inscrições nos eventos acadêmicos, a compra de passagens e hospedagem. Assim, essa observação visa explicar às dificuldades inerentes a produção acadêmica.

      Como afirmamos inicialmente que se trata apenas de uma, mas das diversas Amazônia, a presente obra é constituída por um painel que articula gestão do território, políticas de formação de professores e memória da institucionalização da escola em Rondônia, capaz de revelar formas de conteúdos que sofreram metamorfose, mostrando que há outro jeito de realizar e outro modo de esperar.

 

Porto Velho, dezembro de 2016

Prof. Dr. José Januário de Oliveira Amaral

Profa. Dra. Rosângela Aparecida Hilário

Informações Adicionais

Autor José Januário de Oliveira Amaral; Rosângela Aparecida Hilário [Organizadores]
Ano de Publicação 2017
Páginas 258
Tamanho 16 x 23
ISBN 978-85-7993-373-8

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