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A leitura menochiana: micro histórias de relação entre leitura e escrita

A leitura menochiana: micro histórias de relação entre leitura e escrita

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Certa vez, uma professora do ensino fundamental compartilhou no facebook uma tirinha de humor do Calvin, personagem criado por Bill Watterson, em que ele diz para seu amigo, o tigre Haroldo, que a matemática não seria uma ciência e sim uma religião. Seu argumento: “Ao somar dois números, por magia eles tornam-se num novo número! Ninguém pode dizer como é. Acredita-se ou não.” No universo do ensino fundamental, a tendência a achar graça em uma tira como essa é maior entre aqueles que, sejam professores ou alunos, têm uma inegável predileção pelos textos e ódio aos números. Como se fossem coisas excludentes. Um tempo depois, perto da Páscoa, eu compartilhei com aquela professora um quadrinho intitulado “Não vale o quanto pesa”, em que apareciam, no alto, alguns chocolates e bombons com seus respectivos pesos e preços, e abaixo, os ovos com a mesma “grife” do chocolate ou do bombom, seguidos de curtos textos comparativos. Apenas para citar um exemplo, no caso do Sonho de Valsa, o texto dizia o seguinte: “O peso do ovo equivale ao de 17 bombons, e o preço ao de 51 bombons”. Fiz à professora uma alusão ao quadrinho de humor que ela havia compartilhado e a convidei a pensar se não seria uma boa ideia usar aquele quadro comparativo como exercício com seus alunos, aproveitando a matemática para falar em consumo consciente. Em resposta, ela se ateve apenas à crítica ao consumismo, dizendo que já estava decidida a não comprar ovo naquela Páscoa. Sobre a matemática ou a alusão à tira que a tratava como uma coisa transcendental, nenhum comentário. No campo da literatura, são inúmeros os exemplos de escolas do Brasil todo que já realizaram, pelo menos algum dia, uma espécie de “julgamento de Capitu”, a protagonista do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. De um lado, ficam os “advogados” de acusação, argumentando e apresentando “provas” de que ela traiu o Bentinho, o outro protagonista. Do outro lado, os “advogados” de defesa, empreendendo esforços equivalentes para “inocentá-la”. Os primeiros se atêm, na leitura do romance, a detalhes como a semelhança entre Ezequiel, filho de Bentinho e Capitu, e Escobar, seu amigo e suposto pivô da traição, esquecendo-se, providencialmente, que a história é contada por Bentinho, do ponto de vista dele. Já os defensores de Capitu se atêm justamente a isso, à narrativa parcial e distorcida daquele que se sentiu traído. Uma terceira leitura possível diria que o mais importante da história não é se houve ou não a traição, mas o quanto Machado foi feliz ao combinar a dissimulação de Capitu com a parcialidade da narrativa de Bentinho. É o poder dissimulador de Capitu e o fato de a história ser contada por Bentinho que, juntos, geram a dúvida. Dar mais atenção a um determinado detalhe em detrimento de outro – o que pode equivaler à total abstração, por uns, de algo que é crucial para outros –, tanto no caso de uma postagem no facebook quanto de um romance, faz parte daquilo que eu chamo de “leitura menonocchiana”, termo cunhado em minha pesquisa de doutorado, que narrarei adiante, do qual voltei a falar em artigo na revista Leitura: teoria e prática, em trabalho apresentado no Congresso de Leitura do Brasil, e no capítulo que escrevi para o livro Em(n)torno de Bakhtin: questões e análises, organizado por Raquel Fiad e Luciano Vidon e publicado por Pedro & João Editores.

Informações Adicionais

Autor Rodrigo Bastos Cunha
Ano de Publicação 2016
Páginas 310
Tamanho 14 x 21
ISBN 978-85-7993-304-2

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