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A análise do discurso e suas interfaces

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APRESENTAÇÃO A Análise do Discurso francesa fundada por Pêcheux e colaboradores surgiu do desejo de construção de uma ciência que trabalhasse para além das fronteiras do conhecimento estabelecidas à época, porém, sem desprezar a sua contribuição. Pêcheux na introdução de O Discurso: estrutura ou acontecimento (1983) sintetiza seu desejo ligado àquilo que chamamos aqui de interface com a história do velho marxista que queria fabricar sozinho sua biblioteca e, para não complicar, deixava de lado as porcas ficando apenas com as roscas, as quais, rodando no vazio desfaziam seu trabalho. A partir dessa articulação crítica, que toma os limites de um campo de conhecimento como engodos, surge este livro, que pretende contribuir para a construção de um aparato teórico e metodológico de resistência ao objetivismo abstrato e ao subjetivismo idealista persistentes nas ciências humanas e que tendem a recalcar os pressupostos de uma teoria do discurso. Os textos aqui apresentados mostram as várias facetas dessa inquietação e atualizam as interfaces constituintes do campo da Análise do Discurso desde a sua fundação. Ao mesmo tempo, existe uma contribuição inédita, na medida em que as inquietações e a abertura para novas significações trazidas pela teoria do discurso requerem essa contínua atualização. Daí a denominação “Interfaces”, pois se refere ao modo de tratamento do diálogo da Análise do Discurso com outros campos do conhecimento tais como psicanálise, direito, letramento, educação, político, saúde e outros. Apostamos, no entanto, em que, como a completude é ilusória, é preciso deixar espaço para que surjam desejos e demandas que nos levem mais-além, talvez até a uma continuidade deste projeto. O importante é prestar contas à sociedade, que nos ampara, daquilo que fazemos - uma espécie de contabilidade simbólica sobre como a Universidade preenche uma de suas funções sociais, que é a de produzir e divulgar conhecimento. O livro está dividido em cinco eixos temáticos que comportam textos segundo o caráter heterogêneo das contribuições em suas interfaces com a Análise do Discurso pêcheutiana. A Parte I, O inconsciente, o político e o equívoco, abre com o capítulo de Helson da Silva Sobrinho, “Análise do discurso e a insuportável luta de classes na teoria e na prática”, que aborda a luta de classes atrelada ao discurso em seu processo complexo de produção de sentidos em práticas dos sujeitos da sociedade capitalista; ao mesmo tempo, descreve o discurso como efeito e trabalho no processo histórico-social. Gesualda Rasia, em “Os entremeios do discursivo nos campos da lógica e da filosofia”, articula as noções de discurso, lógica formal e filosofia, com ênfase no conceito de determinação. Afirma que há impossibilidade de apreensão plena da realidade, e que é pela instauração dos fatos contingentes que se constituem os sentidos. No capítulo “A Análise do Discurso e sua interface com o político”, Ercília Cazarin descreve o sujeito afetado pelo inconsciente e pela ideologia como espaço de singularidade nos limites contraditórios das diferentes FDs. Relaciona língua e ideologia como constitutivas do discurso e define o político como “lugar” de dissenso dentro da noção de FD, que abriga a divergência e a diferença. A seguir, Diana Toneto dedica um texto à “Autoria, deriva e contingente”, em suas intersecções com Análise do Discurso, Literatura e Psicanálise, para propor que a literatura, tomada como uma materialidade linguística suscetível à análise discursiva, pode render bons frutos para os avanços teóricos, tanto do campo da teoria literária quando do campo da AD. No último capítulo dessa parte, “A carta roubada e a estrutura do inconsciente”, Leda V. Tfouni, Anderson Pereira e Dionéia Monte-Serrat argumentam que o conto “A carta roubada”, de Edgar Allan Poe, influenciou Lacan quanto aos conceitos de determinação simbólica e sujeito, sendo que, para tanto, Lacan parte do conceito de signo como um “raciocínio litigioso”, o que leva a psicanálise a afirmar que a determinação simbólica não pode ser tomada como um “simples acaso”. A Parte II, que trata da Instalação da desigualdade pelo discurso especializado, tem sua abertura com o texto de Virgínia Colares, “Análise crítica do discurso jurídico”, que discute o fato de a dogmática jurídica trazer a ilusão de neutralidade, e apoiando-se na análise crítica do discurso, traz à tona o modo como a desigualdade social se instala por meio do uso da linguagem. Em seguida, Lourenço Chacon e Julyana Nascimento escrevem sobre “Um olhar enunciativo-discursivo sobre a hesitação em um sujeito com doença de Parkinson” e fazem a proposta de que outros fatores, além dos problemas motores da doença, poderiam contribuir para determinar a ocorrência da hesitação na conversação dos sujeitos parkinsonianos. Encaminham seu estudo para os aspectos enunciativo-discursivos da hesitação. No capítulo “Uma análise discursiva do diagnóstico em saúde mental”, Dionéia Monte-Serrat e Paula Chiaretti tomam a língua como parte do funcionamento social constitutivo do homem e da sua história e abordam o discurso médico sobre os distúrbios mentais para observar como a ideologia, por meio do juridismo inerente a esse discurso, mantém o paciente alienado de sua própria situação. Encerrando essa parte, o texto de Maria José Coracini “Aspectos metodológicos e Análise de Discurso: migrantes em situação de rua, entre a hos(ti)pitalidade e a anulação de si”, trata da transdisciplinaridade da Análise do Discurso praticada no Brasil, enlaçando os campos da AD e da Psicanálise a trabalhos em ciências sociais e também à desconstrução derrideana, para realizar a análise discursiva de relatos de moradores de rua. Abrindo a parte III, Interfaces possíveis entre Análise do Discurso e Psicanálise, Fábio E. Tfouni, em “Interdito e silêncio: uma abordagem no quadrado das oposições”, a partir do recurso à lógica alética, busca articular e aproximar os conceitos de interdito e de silêncio, na medida em que ambos desempenham um importante papel como fundadores do discurso e da linguagem. No capítulo “A relação com o feminino em narrativas de duas crianças de rua”, Leda V. Tfouni e Carolina Molena, fundamentando-se nas perspectivas teóricas da psicanálise lacaniana e da Análise do Discurso de filiação francesa (AD), focalizam o posicionamento discursivo, no que tange ao feminino em narrativas de duas crianças de rua. Investigam como a ideologia aloca lugares discursivos que não correspondem à realidade social-empírica dos sujeitos. No capítulo seguinte, Alessandra Carreira, escreve “A panela rachada: autoria, sujeito e heterogeneidade”, em que, fundamentando-se na interface entre a teoria psicanalítica de Lacan e a Análise do Discurso pêcheutiana, busca relacionar os conceitos de autoria e subjetividade a partir de teoria de Jacqueline Authier-Revuz sobre as heterogeneidades enunciativas. Clarice Paulon e Leda V. Tfouni, em seguida, tratam do “Silêncio como estratégia do inconsciente”, abordando a questão do ponto de vista da tipologia proposta por Orlandi e de uma ocorrência especial de silêncio estudada por Freud (O esquecimento de Signorelli). As autoras apostam que há etapas percorridas por Freud durante seu esquecimento, e estudam as três versões nas quais o autor tenta explicá-lo. O texto que encerra esta terceira parte é de Leda V. Tfouni e Marcella Laureano, intitulado “‘Que queres?’ – O sujeito do discurso e seu desejo: o papel da ideologia”. Nesse capítulo, as autoras propõem-se a abordar dois conceitos fundamentais para a Análise do Discurso de linha francesa (AD) e para a Psicanálise Lacaniana: a ideologia e o desejo e suas implicações para o sujeito desejante, e analisam duas narrativas orais de ficção produzidas por uma criança de rua. A Parte IV, Efeitos identitários da mídia, metonimização e construção do imaginário pela máquina discursiva, inicia com o capítulo de Nilton Milanez, “O nó discursivo entre corpo e imagem: intericonicidade, brasilidade”, em que sujeito, encadeamentos e história são tomados como uma máquina discursiva que constrói o imaginário e produzem identidades para o brasileiro. Para isso, toma o corpo como suporte para a recepção e produção de imagens em meio a redes de poder e resistências, orientado historicamente. O capítulo seguinte, de Maria do Rosário Gregolin, “Análise do discurso e mídia: a (re)produção de identidades”, trata dos efeitos identitários resultantes da mídia como prática discursiva e busca compreender o “agenciamento coletivo de enunciação”, de modo a modelar a identidade histórica que nos liga ao passado e ao presente. Esta quarta parte do livro encerra-se com o texto de Suzy Lagazzi, “A materialidade significante em análise”, em que a autora, retomando trabalhos anteriores de construção de análise que passam pelos documentários Boca de Lixo e Tereza e do filme Tropa de Elite, propõe um novo passo: por meio da “metonimização das imagens” do filme Linha de passe, que mostra a equivocidade das imagens, para compreender os modos de funcionamento do social. A Parte V trata do Enfoque discursivo do ensino: leitura, autoria, letramento. No capítulo de abertura, de Freda Indursky, “Discurso, língua e ensino: especificidades e interfaces”, a autora propõe-se a mobilizar noções de discurso e metodologia como caminhos de acesso às interfaces que estão em jogo quando a questão é o ensino de língua. Apoia-se na concepção de discurso formulada por Pêcheux, comentando que ele promove um deslocamento importante e singular que conduz da forma para os sentidos, mais precisamente, para os processos semânticos que se instauram entre sujeitos pelo viés do discurso. Em seguida, temos o capítulo “Pesquisa na graduação – iniciação a uma história do conhecimento”, de Claudia Pfeiffer, que traz a proposta de que o ensino deve ser pensado discursivamente, como algo que dá abertura a condições de produção para a autoria, pois o espaço do conhecimento resume-se a indagar, inconformar-se, não entender, estranhar, a fim de que o fazer científico não se constitua em respostas, mas sim na formulação inconformista de perguntas. Escrevendo sobre “Professoras alfabetizadoras e sua relação com a leitura durante a formação inicial”, Elaine Assolini, no terceiro capítulo, baseada na Análise do discurso pêcheutiana, nos postulados da abordagem Sócio-Histórica do Letramento e nas contribuições de Chartier sobre a leitura, dedica um estudo à repercussão da relação que professoras alfabetizadoras estabeleceram com a leitura durante suas formações iniciais, e suas práticas pedagógicas atuais. No último capítulo, “Panorama do processo de reificação da escrita numa perspectiva discursiva de letramento”, Anderson Pereira contrapõe o discurso científico (teórico) sobre o letramento às análises de produções orais de uma mulher não-alfabetizada, e investiga o processo de reificação da escrita, efeito da ilusão de obviedade e completude do dizer, e sua consequência, que alimenta o poderio simbólico dos discursos altamente letrados. Esperamos dar nossa contribuição à legitimação dos escritos infindáveis produzidos dentro da academia, que, muitas vezes, quedam-se engessados em prateleiras. A palavra é nossa escolha; não a morte. Finalizando, parafraseamos Pêcheux, na introdução de “O Discurso: estrutura ou acontecimento?”, em que o autor faz uma crítica àqueles “[...] tempos em que os marxistas pensavam poder construir tudo por si mesmos: a economia, a história, a filosofia, a psicologia, a linguística, a literatura, a sociologia a arte [...] e as bibliotecas” e finaliza: “[...] hoje o marxismo procura casar-se ou contrair relações extraconjugais”. Eis o mote deste livro: trazer ao leitor uma operação de leitura fendida, inquieta, aberta.

Informações Adicionais

Autor Leda Verdiani Tfouni, Dionéia Motta Monte-Serrat, Paula Chiaretti (Orgs.)
Ano de Publicação 2011
Páginas 400
Tamanho 16 x 23 cm
ISBN 978-85-7993-072-0

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