Um ser expressivo e falante. Refletindo com Bakhtin e construindo uma leitura de vozes. PE49

Um ser expressivo e falante. Refletindo com Bakhtin e construindo uma leitura de vozes.

Ref.: PE49 Compra Segura

VALDEMIR MIOTELLO e outros !@
Ano de Publicação 2013
Páginas 182
Tamanho 14 x 21
ISBN 978-85-7993-162-8

R$ 35,00

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“O nosso objeto é um ser expressivo e falante”. É assim que Bakhtin define o objeto de seu trabalho e também o objeto das ciências humanas. Isso significa que, ao desenvolvermos atividades com a linguagem, não trabalhamos com um objeto mudo. As ciências humanas são as ciências do homem. Homem que fala. E homem que fala com outro homem que fala. Esse “encontro de palavras” impede a “falsa tendência para a redução de tudo a uma única consciência, para a dissolução da consciência do outro (do sujeito da compreensão) nela”. Não há como se colocar a si mesmo no lugar do outro. Não há como perder o próprio lugar. A compreensão não é passar a linguagem do outro para a minha linguagem. Esse reducionismo não é o que se dá no processo de compreensão. Um processo que se desse de tal forma apenas duplicaria a palavra. Da mesma forma não há a possibilidade de na compreensão um dos lados inter-agentes impor seu ponto de vista. A possibilidade de mudança é real, e na compreensão sempre há a renúncia de pontos de vista já prontos. “No ato de compreensão desenvolve-se uma luta cujo resultado é a mudança mútua e o enriquecimento”. A concordância-discordância ativa estimula e aprofunda a compreensão. A palavra, tanto palavra outra quanto a palavra própria, fica mais elástica e mais pessoalizada. A possibilidade de dissolução mútua não existe. Da mesma forma a mescla entre a palavra outra e a palavra própria não se configura. Esse movimento da palavra sempre altera, produz e exige alteridade. O contato entre duas ou mais pessoas sempre se dá pela mediação sígnica. Sem signo não há contato entre sujeitos. E também aqui é necessário dizer que os contatos não se dão diretamente, mas sempre mediados pela linguagem. Dessa forma, todas as relações de alteridade são relações sígnicas, relações que se dão no mundo da linguagem, mediadas pelas palavras. Nesse livrinho as vozes que se ouvem mais fortes são de alunos da disciplina Filosofia da Linguagem, ministrada no Programa de pós-graduação em Lingüística, da UFSCar. E agradeço a cada um deles essa chance de termos conversado tanto sobre as possibilidades de nos colocarmos diante da vida, escutando!

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