O conceito de amor: um estudo exploratório com participantes brasileiros PE244

O conceito de amor: um estudo exploratório com participantes brasileiros

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Thiago de Almeida; José Fernando Bitencourt Lomônaco !@
O conceito de amor: um estudo exploratório com participantes brasileiros. São Carlos: Pedro & João Editores, 2018. 311p.
ISBN 978-85-7993-508-4
1. Amor. 2. Formação de conceito. 3. Conceito. 4. Teorias do amor. 5. Autores. I. Título.
CDD –100

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PREFÁCIO

 

 

Tentar falar sobre o amor me parece uma tarefa muito difícil uma vez que ele se refere a um sem número de fenômenos e categorias tão diversas que, podemos nos arriscar a dizer, enquanto palavra ela é vaga, com significados muito diferentes e sem grande especificidade.

Entretanto, a quantidade de tinta e papel já gastos com o tema durante toda a história humana mostra o quanto a temática é de importância e o quanto ela ocupa a mente e a imaginação de todos mesmo que, como se refere La Rochefoucauld (citado por Rougement, 1983, p. 173), “muitas pessoas não se enamorariam se tivessem sido informadas sobre o amor”.

As formas de pensá-lo podem ser diversas e abrangentes, estendendo-se desde os aspectos neurofisiológicos, em moda, mas que, embora expliquem os mecanismos corporais envolvidos naquilo que denominamos, grosso modo, amor, não conseguem esclarecer a intensidade e a importância desse fenômeno para a espécie, seus aspectos denominados inconscientes, carregados de significados intensos e característicos.

Na verdade, mais do que um fenômeno puramente objetivo, seja sob a análise biológica ou social, ele pertence ao campo do simbólico e, como tal, com características que são profundamente influenciadas pela sociedade e, principalmente, pela cultura.

Sua força é tamanha que demanda regulação para que não interfira de maneira muito marcada nos sistemas de equilíbrio sociais e, assim, passa a ser regulamentado através de contratos, muito bem detalhados que, a partir da Idade Média, em nossa cultura, assumem conotações religiosas e valorativas estabelecendo-se dentro da instituição casamento, controlada e regulamentada, construída em nossa cultura de maneira monogâmica e, teoricamente, “ad aeternum”, visando principalmente o cuidado dos filhos e a estabilidade social a partir do controle instintivo.

Mesmo com as mudanças de costumes, cada vez mais marcadas, que ocasionam novas estruturas conceituadas a partir de muitas denominações diferentes, que se estendem dos casamentos abertos até o denominado “poliamor”, essa importância é facilmente visualizada ao vermos que, mesmo sob a égide de uma aparente transgressão, o que podemos observar é sempre a necessidade de seu controle sob um aspecto contratual, muito bem definido no qual, ainda que a sexualidade seja liberada, os afetos não o são, pois devem se manter dentro de características muito comuns à nossa cultura, principalmente após o século XX no qual amor e casamento passam a ser considerados como devendo ser, obrigatoriamente, unidos. Assim, mesmo com uma “aparente” liberação da sexualidade, a exclusividade dos afetos, simples demonstração de uma teórica posse, continua a ser “cobrada” de tal maneira que, nem mesmo é questionada quando se discute sobre o tema.

Confundem-se então impulsos sexuais e desejo, afetos significativos, contratos de exclusividade e posse com definição de direitos e deveres cada vez mais questionados e, principalmente, expectativas que, na maior parte das vezes, nunca serão supridas pela simples razão de que se pensa sob óticas idealizadas que não são, na maioria das vezes, compatíveis com a realidade.

Tudo isso para reforçarmos a ideia de que é um tema complexo, que demanda flexibilidade em sua abordagem e conhecimento de diferentes tópicos para que não seja visto (como o é frequentemente) de maneira maniqueísta e sem questionamento a respeito de características (principalmente aquelas ligadas ao casamento) que são consideradas pilares de nossa moral e de nossa cultura moderna.

A abordagem global e abrangente do tema foi a intenção dos autores deste trabalho, sobretudo do primeiro autor que, há anos, dedica-se de maneira intensa a conhecê-lo e explorá-lo, quer através da busca acadêmica (representada exatamente por este livro, fruto de uma tese de doutoramento no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), quer pela busca do conhecimento por meio da atividade clínica que permite que nos defrontemos com o mundo real e não o mundo das ideias, muitas vezes representativo somente de concepções teóricas discutíveis.

Exatamente por isso, e como tudo que se encontra inserido no existir humano, este trabalho tem vantagens e desvantagens posto que seria impossível abordar um universo tão extenso.

Os autores partem, exatamente, do desenvolvimento histórico do conceito, não só de amor, mas do próprio casamento que, no momento no qual vivemos, é considerado como que algo, conceitualmente, indissolúvel da questão amor.

Mostram assim que isso é uma “invenção da modernidade”, decorrente das próprias ideias de liberdade e de escolha democrática (sic), mas que nunca estiveram ligadas no decorrer da história ficando o amor (lembrem da Afrodite Pandêmia e da Afrodite Urânia de Platão) em um plano e o casamento em outro, muito mais comezinho e banal com Engels chegando a dizer que a invenção do casamento possibilitou o aparecimento de dois outros fenômenos como a prostituição e o adultério, ambos dele decorrentes.

Cabe ainda lembrar que o cristianismo e, principalmente a Igreja, considerando a expressão da sexualidade um problema conceitual, tentam controlá-la a partir da instituição já que, como quer São Paulo na Epístola aos Coríntios, se alguém não consegue se controlar é melhor que se case.

Sobre todos estes fenômenos o autor passa de maneira clara e detalhada, trazendo ao leitor sempre a vontade de conhecer e se aprofundar mais em um tema, de tal modo fascinante, que por mais que se escreva sempre restam dúvidas e desejos de conhecimento.

Os autores abordam ainda a questão das mudanças trazidas pela modernidade com algumas de suas implicações (e porque não dizer, também causas) sociais bem como as repercussões dessas nas novas gerações e nos novos relacionamentos, muitas vezes estabelecidos em função das demandas de um mercado consumidor que alterou formas, mas que mudou, a meu ver, muito pouco o conteúdo das exigências no que se refere ao tema.

Finalmente, a partir de uma metodologia acadêmica, trazem os resultados da pesquisa que originou o trabalho realizado com jovens universitários e não universitários e adultos, e que mostra, em suas conclusões, exatamente a dificuldade em se conceituar o tema que, por sua imensa abrangência, transforma a palavra em algo que, considero, seja inespecífico e pouco claro o que, longe de ser um problema, permite à todos, a sua utilização para que se sonhe e se fantasie embora, exatamente por essa indefinição, também possibilite conflitos e confusões que, talvez, representem o núcleo do próprio existir do homem que, como ser gregário, necessita estabelecer relacionamentos com o outro mas que, a partir do momento em que se libera (por todas as construções civilizatórias que temos que considerar, existem há menos de 10.000 anos) dos mecanismos que garantem sua sobrevivência biológica estrita, passa a se relacionar pelos significados abstratos que estabelece e que são característicos da individualidade de cada ser, sendo fundamentadas sobre o que se constrói durante todo o existir e em resposta a uma questão, ao mesmo tempo simples e complexa: “O que eu desejo para a minha vida?”

Apoiam-se assim no território da ética, da individualidade e da solidão decorrente do próprio existir humano com suas possibilidades e limites. Daí a riqueza de seu estudo e das reflexões sobre o tema, tão bem abordado e desenvolvido pelos autores.

Foi um imenso prazer poder ler o trabalho e participar da banca de doutoramento do psicólogo Dr. Thiago de Almeida, atualmente, meu aluno de pós-doutorado. Mais ainda, foi uma honra poder refletir para poder escrever esta apresentação que, embora modesta, creio que possa ser introdutória para o trabalho em questão. Espero que o prazer que tive, seja compartilhado por todos aqueles que o lerem e, espero, apreciem o texto.

 

 

São Paulo, agosto de 2017.

                                              

Francisco B. Assumpção Jr.

Professor Associado do Instituto de Psicologia da USP - Departamento de Psicologia Clínica

 

Referência

 

Rougemont, D. (1983). Love in the Western World. Princeton: Princeton University Press. 

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