Mikhail Bakhtin: a arte como resposta respons√°vel PE241

Mikhail Bakhtin: a arte como resposta respons√°vel

Ref.: PE241 Compra Segura

Ester Myriam Rojas Osorio; Ivo Di Camargo Jr. (Orgs.) !@

Mikhail Bakhtin: a arte como resposta respons√°vel. S√£o Carlos: Pedro & Jo√£o Editores, 2018. 191p.
ISBN 978-85-7993-519-0
1. Estudos bakhtinianos. 2. Arte como resposta. 3. GEB ‚Äď Grupo de estudos bakhtinianos. 4. Autores. I. T√≠tulo.
CDD ‚Äď 370

R$ 40,00

Escolha uma opção

Produto indisponível

UMA BREVE HIST√ďRIA DO GEB

 

 

Este é o sétimo trabalho editorial do GEB (Grupo de Estudos Bakhtinianos da UNESP/ASSIS), sendo todos muito bem classificados pela CAPES. Este Grupo de Pesquisa existe desde 2008 e nasceu de um projeto intelectual de uma equipe formada por estudantes, pensadores, professores e pesquisadores humanistas dispostos a estudar as teorias Bakhtinianas e aplicá-las. Desta forma, o grupo preparou pequenos trabalhos, organizou colóquios, escreveu livros, sempre rejeitou rótulos e esquemas fechados de análise. Graças a seu apoio teórico dialógico conseguiu criar, recriar, analisar, transformar, filosofar e, sobretudo, dialogar com outras vozes e assim contribuir com as ciências humanas.

O mais novo desafio do GEB √© ampliar os horizontes e levar nossos di√°logos a outros lugares f√≠sicos e sociais, para esse fim estamos propondo criar novas c√©lulas do GEB em outras institui√ß√Ķes.

Sendo assim, vemos o livro como uma ferramenta de di√°logo com nossos pares pertencentes ao mundo acad√™mico e estudiosos das teorias do linguista, fil√≥sofo da linguagem e cr√≠tico liter√°rio russo Mikhail Bakhtin. A motiva√ß√£o deste novo di√°logo consiste em discutir a ideia de ARTE COMO RESPOSTA RESPONS√ÄVEL. Sabemos que uma obra art√≠stica faz parte de uma corrente dial√≥gica que replica e faz rela√ß√Ķes com outros enunciados, com outras vozes, tornando-se plena de ecos e reflexos de outros e que tenta dar uma resposta respons√°vel frente a uma inquieta√ß√£o de um sujeito, em um determinado tempo e numa determinada sociedade. Para Bakhtin a arte √© social e est√° determinada pelo meio extra-art√≠stico.

Segundo Vygotsky a arte reside onde reside o apenas, ou seja, nas m√≠nimas express√Ķes √© onde as bases da cria√ß√£o art√≠stica se encontram. Bakhtin em Est√©tica da Cria√ß√£o verbal (minha edi√ß√£o em espanhol) ao reconhecer que arte e vida s√£o √°reas indissoci√°veis da cultura humana acrescenta:

 

Yo debo responder con mi vida por aquello que he vivido y comprendido en el arte, para que todo lo vivido y comprendido no permanezca sin acción en la vida. Pero la responsabilidad se relaciona con la culpa. La vida y el arte no sólo deben cargar con una responsabilidad recíproca, sino también con la culpa. Un poeta debe recordar que su poesía es la culpable de la trivialidad de la vida, y el hombre en la vida ha de saber que la falta de exigencia y de seriedad en sus problemas existenciales es la culpa de la esterilidad del arte. (BAKHTIN, 2011, p. 13-14)

 

Bakhtin ao tentar construir a arquitet√īnica da vida evoca a arte como interlocutora que apela a uma filosofia moral e nessa manifesta√ß√£o podemos identificar uma voz cultural, de tom inconclusivo, que mostra valores em constante tens√£o, centrada na vida como ela √©, semelhante √† rela√ß√£o do eu e o outro. Al√©m disso, o autor entende que o papel do artista como comunicador implica em ver esse mesmo artista como leitor da vida cotidiana, que desenvolve as compet√™ncias leitoras como express√Ķes de outras linguagens, mas tamb√©m ele consegue dialogar com a palavra do outro: locutor, ouvinte, enunciados anteriores e com a pr√≥pria palavra do outro, este o principio do dialogismo.

Lembro aqui minha pr√≥pria voz (OSORIO[1], 2012, p.7) quando chamo aten√ß√£o sobre a for√ßa que move o universo das pr√°ticas culturais, que seriam posi√ß√Ķes socioavaliativas postas numa din√Ęmica de m√ļltiplas rela√ß√Ķes responsivas. Desta forma, o ato criativo envolveria um complexo processo de transposi√ß√£o de recortes da vida para arte; ou seja, o artista √© capaz de trabalhar uma linguagem enquanto permanece fora dessa linguagem; ao mesmo tempo, este se libera da hegemonia de uma l√≠ngua unit√°ria como mito e se deixa vagar pela heteroglossia (diversidade social de linguagens).

Desse modo, tentando dar uma resposta ao momento hist√≥rico atual onde a maior voz que conseguimos ouvir √© a voz do mercado, da tecnologia, da substitui√ß√£o da m√£o de obra pela m√°quina, da vida saturada de incertezas, propomos um dialogo que valorize as manifesta√ß√Ķes art√≠sticas aut√™nticas vindas de aqueles agentes sociais que vivem a diferen√ßa.

Assim chamamos a enriquecer nosso dialogo ao Professor Geraldi[2] (2003) que fala a respeito:

 

A cultura deles √© ‚Äúartesanato‚ÄĚ; o poema deles √© ‚Äúliteratura de cordel‚ÄĚ; as artes pl√°sticas deles s√£o ing√™nuas; a cr√≠tica deles √© ideologia ‚Äď talvez reencontremos na experi√™ncia est√©tica o que de comum compartilhamos com os homens ‚Äď a capacidade de criar. (2003, p.39)

               

A postura de Geraldi nos remete ao trabalho de Bakhtin sobre os estudos da g√™nese da palavra no romance, sobre a literatura carnavalizada, sobre os signos do corpo grotesco, sobre a linguagem da pra√ßa p√ļblica, sobre as imagens das festas populares, sobre as m√°scaras, sobre os risos, etc. O autor sempre da notoriedade ao car√°ter aut√īnomo e original da cultura popular, sempre em conflito com a cultura oficial, que representa a ordem constitu√≠da e o poder dominante. A comunica√ß√£o entre essas duas for√ßas coexistentes reflete l√≠nguas, culturas e sociedades em constante tens√£o.

Espero que vocês, queridos leitores, consigam aproveitar esta nova empreitada e nos deem uma resposta sincera a este novo trabalho.

 

 

                        Prof. Dra. Ester Myriam Rojas Osorio

                                                                       L√≠der GEB



[1] OSORIO, E.M.R. Mikhail Bakhtin : a poética sociológica e os estudos culturais. Pedro & João Editores. São Carlos. 2012.

[2] GERALDI, J.W. A diferen√ßa identifica. A desigualdade deforma. Percursos bakhtinianos de constru√ß√£o √©tica e est√©tica.  In: FREITAS, M.T. et alii . Ci√™ncias Humanas e pesquisa: leitura de Mikhail Bakhtin. S√£o Paulo, Cortez. 2003.

Aproveite Também

-25%

Resson√Ęncias de P√™cheux em n√≥s

Autor Lucília Maria Sousa Romão !@
Ano de Publicação 2014
P√°ginas 271
Tamanho 16 x 23
ISBN 978-85-7993-173-4

R$ 40,00 R$ 30,00

3x de R$ 10,00 S/ JUROS

Casos investigativos e rela√ß√Ķes com o saber no Ensino de Ci√™ncias

Welington Francisco. !@
ISBN 978-85-7993-481-0
Tamanho 14 x 21. 252 p√°ginas
1. Ensino de Ciências. 2. Casos investigativos e a Ciência. 3. Relação com o saber

R$ 35,00

-25%

Linguagens e pr√°ticas docentes: rela√ß√Ķes bakhtinianas

Autor José Anchieta de Oliveira Bentes; Isabel Cristina França dos Santos Rodrigues (Orgs.) !@
Ano 2017
P√°ginas 291
Tamanho 14 x 21
ISBN 978-85-7993-443-8

R$ 40,00 R$ 30,00

3x de R$ 10,00 S/ JUROS

-22%

A construção da enunciação e outros ensaios [Volochínov]

Valentin Nikolaevich Volochínov !@
Ano de Publicação 2013
P√°ginas 273
Tamanho 16 x 23
ISBN 978-85-7993-169-7

R$ 45,00 R$ 35,00

3x de R$ 11,67 S/ JUROS