Gritos submersos (Poesia) 732783

Gritos submersos (Poesia)

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Liliane Balonecker !@
Gritos submersos. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 176p.
ISBN 978-85-7993-623-4
1. Literatura brasileira. 2. Poesia. 3. Palavra comprometida. 4. Autora. I. Título.
CDD – 869

R$ 35,00

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Prefácio

 
                              “O poeta não escreve

Ele é um libertador de silêncios sufocados na alma”.

                                                              Lili Balonecker

             

Ao ler “Gritos submersos”, de Liliane Balonecker, é impossível, senão indesejável, não se entregar à experiência de rememorar sua palavra falada e cantada em tantos saraus e encontros poéticos, em que ela se entrega desnuda, plena e inteira aos seus ouvintes/ leitores. Ao lermos seus poemas, podemos ser tomados inevitavelmente pela força destas experiências, que acrescentam ao texto ainda mais vigor e intensidade. Então, sem fazer esforço para evitar o contágio, encontrei neste novo livro uma escrita corajosa, sensível, provocadora e, sem dúvida, da qual não se pode passar incólume.

A palavra de Liliane é também a revelação de sua história como parte de um movimento de escritores que vem assumindo um compromisso político-afetivo-ético com a poesia como uma aposta num modo de ser - viver poético, e também com a democratização de espaços-tempos de partilha e autoria da poesia viva e falada. A militância da mulher, da poeta e também da professora, a sua generosidade em comungar e propagar amplamente a poesia em meio à dureza destes tempos, interfere de modo substancial na escrita, que é prenhe de vozes que denunciam as mazelas, as injustiças, as dores, os silenciamentos, mas também anunciam as resistências, as táticas, as artes e as muitas belezuras das gentes daqui.

Uma poesia que merece ser lida na intimidade e solidão de nossos quartos, mas também ambiciona a fricção dos afetos, dos abraços, dos laços e dos inevitáveis efeitos dos encontros e leituras compartilhadas. Uma poesia que nos encanta, porque também é doce, mas não dociliza. Ela nos arrebata, nos convoca, nos mobiliza, mas também acalma e traz algum alívio e esperança nestes tempos tão difíceis.

Nos seus textos sentimos uma poeta inconformada, uma alma flamejante que se dispõe a desvelar seu (e também nosso) mar de ardiduras, uma poeta que já desistiu de desarder e não tem medo de queimar na fogueira onde tantas mulheres foram (são) lançadas pela história afora. Ela não se intimida e se arrisca a tocar em temas fulcrais e urgentes, como homofobia, machismo, preconceito, moralismo, fundamentalismo. A poeta não tem medo, timidez ou receio de levantar bandeira; seu corpo, nas performances poéticas que realiza, é um manifesto de liberdade, e sua poesia, um convite inadiável à primavera das mulheres e das minorias.

Uma poesia bálsamo, que pode curar feridas, cataplasmas de palavras a sarar irmãs, a devolver a possibilidade de novos e inéditos começos... Convites para que princesas possam superar castelos de frieza e submissão e para que meninas possam enfrentar os “terríveis gigantes” de seus cotidianos. Convites a miradas profundas no espelho e ao encontro da mulher forte, que não precisa implorar por companhia, uma moça que se põe a arrancar as pétalas do que não lhe cabe mais e a descobrir que: bem me quer, bem me quero. Uma poesia que pode ocupar livro, parede, ruas, marchas, escolas, canções e gritos, que é um chamamento às mulheres, às minorias e a quem ousar viver a diferença como potência, a não recuar, a não voltar para o “casulo de novo, não mesmo”. Uma poesia da metamorfose.

São muitas vozes trazidas pela poeta, uma diversidade de gritos submersos que ela traz à cena, vozes com seus apelos, expressividades e persistências: a mulher do povo que reza na língua que lhe é própria (a poeta que desafia a norma culta e traz a força da ancestralidade no verso), o menino que se descobre feminino, a mãe que perde seu filho, a puta, a mulher que decide se livrar do que lhe apertava os pés e enfim ganha as “veredas da liberdade”, entre outras.

Essa poesia descalça e livre transborda quando os versos desvelam o amor na contemporaneidade; nas esperas teimosas das visitas que demoram, na ambição de quem busca amar para além da estabilidade do retilíneo, nos tantos desencontros, nos beijos e balas mentoladas não trocadas por hesitação, nos silêncios, nos não ditos, mas também na liberdade de desafiar o enquadramento, as normas, as regras e as conformações.

Liliane, essa “alma inquieta - que encontra paz no lápis ao se descobrir poeta”, revela em muitas linhas o seu ofício: “escrevo a fim de atenuar a ardência de sentir, mas é em vão” ou ainda “ter alma de poeta é como carregar uma âncora no peito”, pois o poeta não foi feito para superfícies. Assim, o mesmo ofício de poeta que lhe empresta alguma paz, também dói, pesa, arde e rasga, “escancara doeres nossos e alheios”. Os versos são desvelamentos de muitas vozes, nos quais ela assume um compromisso com a vida do outro, que não é alheia, posto que é a matéria que a constitui como poeta. As vozes, os murmúrios, os sussurros e os gritos de outrem afirmam, tecem e animam sua escrita. Uma escrita indócil, faminta, ávida de encontro, que escorre, que parte em suas incontinências até o leitor.

Uma mulher poeta que, na experiência sensível de escuta das histórias e memórias de outras mulheres, toma a palavra como possibilidade de desvelamento da condição feminina hoje, afirmando o protagonismo das mulheres, sua força e seu lugar de importância na história, nem sempre oficial, mas aquela apagada, esquecida, invisibilizada. A poeta ressignifica palavras como sororidade, empatia e alteridade, tão em voga. Ela as repete sem preocupação com o lugar comum, porque percebe ser importante repetir, repetir, repetir e a elas emprestar nova força, nova anima. Uma poética do feminino.

Este livro, uma obra tecida num momento histórico de recrudescimento dos discursos de ódio, intolerância e ataques constantes às minorias, às mulheres, aos educadores e aos artistas, apresenta-nos uma poesia que toma como força a percepção de um tempo que cresce no subterrâneo, “nas esquinas chamadas esperanças onde os sonhos dormem” nas margens, nas periferias. Uma poesia aliada àquelas e àqueles que se veem agora ainda mais ameaçados. É lá, nas ruas, nas esquinas, no meio desta gente, que se encontra Liliane; é lá que esta poeta apaixonada pisa, dança, caminha e canta seu canto de poeta, sem repousar suas asas passarinhas, mas provocando em nós, seus privilegiados leitores, o desejo de voar...

 

Fernanda Bortone

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