Estudos surdos e libras: percepções legais e linguísticas, representações e reflexões formativas PE100

Estudos surdos e libras: percepções legais e linguísticas, representações e reflexões formativas

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Waldma Maíra Menezes de Oliveira; Cyntia França Cavalcante de Andrade da Silva (Orgs)
Estudos surdos e libras: percepções legais e linguísticas, representações e reflexões formativas. São Carlos: Pedro & João Editores, 2018. 153p.
ISBN. 978-85-7993-541-1
1. Estudos surdos. 2. Libras. 3. Formação de TILS. 4. Autoras/ Autores. I. Título.
CDD – 370

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PREFÁCIO

 

No ano de 2017, tive a oportunidade de conhecer de perto o trabalho do Grupo de Estudos Surdos na Amazônia Tocantina – GESAT, ao participar do III Seminário de Educação de Surdos na Amazônia Tocantina, na Universidade Federal do Pará, Campus Universitário do Baixo Tocantins. Naquele momento, pude desfrutar da experiência ímpar naquilo que já há muito venho compartilhando com outras/os colegas no campo da pesquisa em Educação de Surdos: é mister pensar os surdos e suas experiências na pluralidade. A diferença surda não pode ficar reduzida às narrativas sobre as línguas e as experiências escolares. Não se reduz a discussões sobre qual o melhor lugar para se educar os surdos, nem mesmo, a descrições de quais seriam as mais autênticas lutas dos surdos nos contextos educacionais. Não quero aqui negar a relevância destes temas na história do povo surdo brasileiro, mas sim, indicar que outras agendas se abrem permanentemente quando repetimos alguns dos slogans tão caros a muitos de nós, como são aqueles que reivindicam um olhar para a experiência surda a partir da perspectiva da diferença cultural.

Ao conviver por alguns dias com os integrantes do GESAT, ao ouvir/ver sobre seus projetos de pesquisa, extensão e ensino no contexto da Amazônia Tocantina, ficou evidenciada a multiplicidade de formas de viver a experiência de ser surdo. Os atravessamentos de pertencimento a outras tantas comunidades – urbanas, ribeirinhas, quilombolas, entre outras, nos desafiam a outros olhares e outras construções argumentativas. Um jogo entre aproximações e afastamentos; entre reconhecimentos e estranhamentos, em um universo de multiplicidades.

Quais significados são construídos quando se nomeia o ser surdo a partir do que pode ser entendido como uma “condição primordial marcada no corpo surdo – o não ouvir” (LOPES, 2007, p. 21)[1], ou quando o descrevemos como sujeito de uma comunidade linguística? São essas afirmativas possibilidades que não se excluem, mas que entram em redes de significação em permanentes tensões e ressignificações.

Durante a realização da pesquisa “Produção, circulação e consumo da cultura surda brasileira”[2], entre os anos de 2009 e 2011, tivemos a oportunidade de conhecer escolas e espaços das comunidades surdas das diferentes regiões do Brasil. Naqueles encontros, evidenciou-se a força da luta pelo reconhecimento e direito de uso da Língua de Sinais, por uma educação bilíngue, pelas oportunidades de encontros surdos-surdos. Mas, também, outras marcas emergiram dos diferentes artefatos culturais produzidos e em circulação entre os grupos surdos. Lutas unificadas, valorização do que lhes é comum e que confere força de luta e reconhecimento, mas sem perder a riqueza da multiplicidade de viver naquilo que Biesta (2013, p. 89)[3] denomina de “comunidade daqueles que não tem nada em comum”; a possibilidade do estranhamento e da construção de um espaço ético de responsabilidade com o outro. Cabe indicar que este “não te nada em comum” não tem significado absoluto, definitivo, fechado. Ele indica que, mesmo nos processos de identificação e constituição do que denominamos comunidade, não devemos negar aquilo que nos diferencia. Diferença não é desencontro, mas é possibilidade de múltiplas formas de estabelecer vida.

A aproximação com o GESAT e com a comunidade surda de Cametá-Pa, no ano de 2017, provocou-me o pensamento. E, neste momento, ser brindada com o convite para escrever o prefácio do livro Estudos Surdos e Libras: percepções legais e linguísticas, representações e reflexões formativas, organizado por Waldma Maíra Menezes de Oliveira e Cyntia França Cavalcante de Andrade da Silva, colocou-me novamente no exercício de aproximações e diferenciações. Potencializou, mais uma vez, um olhar que vai no viés do reconhecimento de lutas em comum, mas, também, de aprendizagens a partir de particularidades singulares dos espaços narrados e analisados em cada página deste livro.

Convido os leitores a adentrarem nas páginas que se seguem, e que mostram o comprometimento de educadoras/pesquisadoras com seu campo de atuação. Encontramos nas páginas deste livro textos potentes naquilo que nos mostram – resultados de pesquisas que transitam por temas relevantes e atuais no contexto da educação de surdos no país, mas que ganham contornos da singularidade local.

 Ivana Conceição da Silva Palheta e Waldma Maíra Menezes de Oliveira discutem “A Atitude Linguística de Sujeitos Surdos sobre a Língua Brasileira de Sinais no Município de Cametá-Pa”, trazendo o resultado da aplicação de um questionário junto a participantes de projetos desenvolvidos na Universidade e na comunidade surda local. Evidencia-se, nos resultados, um sentimento de apreço à Língua Brasileira de Sinais que abarca tanto aspectos afetivos quanto de militância em defesa da língua.

Ainda no escopo da língua de sinais, o capítulo “Limites e Possibilidades na Formação de Tradutores e Intérpretes de Libras no Município de Cametá-Pa”, de autoria de Aline Corrêa de Barros da Costa e Waldma Maíra, tem como questão central: como se desenvolve o processo de consolidação da profissão de intérprete de Libras a partir da representação dos cursistas sobre a formação de TILS promovida pelo GESAT/UFPA? O processo de formação dos profissionais de tradução e interpretação de Libras é um desafio permanente, e que envolve projetos de formação e capacitação permanentes, procurando responder as demandas da comunidade surda local.

Um tema de importância reconhecida na atualidade diz respeito à implementação de políticas públicas inclusivas no ensino superior. Este é o foco do capítulo apresentado por Gabriele Maria Muniz da Silva e Waldma Maíra Menezes de Oliveira. Em pesquisa bibliográfica, as autoras direcionaram o olhar para documentos legais sobre a inclusão no ensino superior, bem como os documentos e regimentos da Divisão de Inclusão Educacional – DIE da Universidade Federal do Pará, Campus Universitário do Tocantins/Cametá. As autoras finalizam afirmando que “Incluir e dar meios para a autonomia, garantir ao universitário segurança de exercer e de gozar seus direitos e deveres, são princípios básicos que direcionam as atividades da Divisão de Inclusão Educacional”.

As representações sociais são abordadas nos dois últimos capítulos do livro. Primeiramente, temos a interessante análise de um artefato cultural de grande circulação no território nacional, a revista de histórias em quadrinhos de Maurício de Souza, a Turma da Mônica. Ali, através da análise das representações sobre o personagem Humberto, criado no ano de 1960 e com protagonismos que variam ao longo das décadas, Priscila Silva da Paixão e Huber Kline Guedes Lobato nos mostram como as narrativas sobre o personagem vão acompanhando discussões relativas às políticas inclusivas, bem como do reconhecimento da língua de sinais em nosso país. Mas, é evidenciado, nas análises, o campo de luta por significação em que se coloca em jogo quem tem a possibilidade de narrar a si e aos outros.

Finalizando, as representações sociais produzidas no Curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Pará sobre a educação de surdos são discutidas por Cyntia França Cavalcante de Andrade da Silva e José Anchieta de Oliveira Bentes. O texto nos provoca pensar sobre os sentidos que circulam nos espaços de formação docente, tensionando aspectos fundamentais ao fazer docente, quais sejam: a avaliação de alunos surdos e interação em sala de aula.

Eis aí, cinco temas e abordagens atuais de grande relevância para fomentar o aprofundamento dos debates acerca da educação de surdos. Contribuições, sem dúvida, para o contexto local, mas também para o aprofundamento das questões que vem fomentando os estudos no campo da educação, provocando olhares plurais.

 

Madalena Klein

Universidade Federal de Pelotas/UFPel

Junho de 2018.



[1] LOPES, Maura Corcini. Surdez e Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

[2] Projeto Produção, Circulação e Consumo da Cultura Surda Brasileira, financiado pelo Edital 07/2008, Capes/MinC – Procultura, executado a partir da parceria  entre pesquisadoras dos programas de pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e  da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

[3] BIESTA, Gerd. Para além da aprendizagem. Educação democrática para um futuro humano. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2013.

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