Educação e integridade humana pela perspectiva histórico-cultural: A experiência do Projeto âncora PE801738

Educação e integridade humana pela perspectiva histórico-cultural: A experiência do Projeto âncora

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Sheyla Gomes de Almeida; Patricia Lima Martins Pederiva !@
Educação e Integralidade Humana pela Perspectiva Histórico-Cultural: a experiência do Projeto Âncora. São Carlos: Pedro & João Editores, 2019. 226p.
ISBN: 978-85-7993-764-4 [Impresso]
978-85-7993-778-1 [Ebook]
1. Educação e integralidade humana. 2. Processos educativos democráticos. 3. Educação e humanização. 4. Projeto Âncora. 5. Perspectiva histórico-cultural. I. Título.
CDD – 370

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PREFÁCIO

 

 

Nunca, em toda a história da Educação do país, vivemos um tempo de tão grandes incertezas e verdadeiros retrocessos no que se refere a assegurar à sociedade como um todo o direito à Educação e, consequentemente, à cidadania. Lamentavelmente, na atualidade, a Educação é entendida como epifenômeno humano e não como parte integrante da vida em sociedade e fator responsável pelo contínuo processo de ser e fazer-se humano.

Opondo-se a essa ideia, apoiados nas Pedagogias Emancipadoras de Vigotski e Freire, entendemos que pela Educação o ser humano torna-se plenamente humano, expandindo sua capacidade biológica através da relação que se estabelece na cultura e na história, intermediado pela política, aqui entendida como vivência relacional e democrática dos sujeitos em sociedade. Inegavelmente, esse processo de humanização se dá com valores e princípios éticos (liberdade, igualdade e solidariedade) que norteiam as relações entre os humanos e os mundos, ampliando exponencialmente a capacidade do Ser tornar-se cada vez Mais Humano, porque Mais Justo, Mais Belo e dialeticamente Mais Relacional. Na atualidade, a possibilidade de fazer Educação, aos moldes do projeto de humanização, no qual a cultura é alicerce humano, estético, espiritual e civilizatório, está ameaçada.

Educação é a própria vida, e vida em sociedade. Nela entendemos que os processos educativos e pedagógicos são um infinito descobrir-se, uma faina na multidão de pensamentos e possibilidades criativas que se dão através das práxis reintegradoras do saber e do fazer humano em suas múltiplas potencialidades. Nesse movimento, a Educação é a expressão Primeira e Máxima e do viver, duas faces de uma mesma moeda. Primeira, porque é o fenômeno inicial que determina a existência humana em suas formas e relações. Máxima, pois que é potencializadora dos atributos humanos e da perfectibilidade da vida em sociedade, através do que desejamos, projetamos e realizamos.

Nesse livro, a vivência pedagógica do Projeto Âncora, captada pela escrita etnográfica da autora, apoiada por sua orientadora Professora Patrícia Lima Martins Pederiva à época da pesquisa, revela um projeto de humanização ao apostar no potencial humano dos meninos e das meninas que lá estão. Essa obra demonstra que o Projeto Âncora recria, em seu espaço físico e relacional, os tempos Primeiros e Máximos da Educação ao possibilitar experiências democráticas de liberdade, de autonomia e responsabilidade com a ecologia escolar.

Efetivamente, dar visibilidade a uma experiência pedagógica tão exitosa como o Projeto Âncora é uma das maiores contribuições que uma obra da área da Educação pode legar para todas as pessoas que trabalham e que se interessam pela educação escolar nos tempos atuais; já que esse é um tempo eivado de desesperança em que meninos e meninas estão cerceados das possibilidades tão preciosas do livre pensar, sentir e agir que se dão na vivência do brincar, da imaginação, da experimentação científica, da especulação filosófica e de tantas outras belas expressões humanas que naturalmente deveriam fluir no campo dos desejos e dos projetos de educação escolar e que infelizmente estão ausentes no Brasil. O livro demonstra que a escola conseguiu fazer essa experiência radical e revolucionária de fazer Educação humanizadora, e isso pode inspirar outras e novas formas de fazer, sentir e pensar as práticas pedagógicas e educativas.

A obra abre espaço para romper com as ortodoxias pedagógicas e propõe o gozo e o desafio de criar Pedagogias Libertárias e Radicais com a cara e a cultura de quem dela participa. As implicações de tão grandiosa construção é a inevitável aproximação e o diálogo aberto e franco com a ciência, a filosofia, a arte, a religião, entre outros campos e linguagens de produção de conhecimento. Proporcionando assim, uma autêntica forma de exercício de cidadania.

Nesse livro a autora, com olhar atento e respeitoso, compartilha conosco o que tem sido feito dentro do Projeto Âncora em termos de experiências educativas e pedagógicas, revelando a construção de uma Pedagogia Híbrida nascida das vivências dos processos de ensinar e de aprender. Tal Pedagogia, que não tem rótulos, encontra em seu âmago um movimento de diálogo entre as múltiplas Pedagogias de inspiração humanista que se apoiam nas matrizes culturais, centradas nos processos pedagógicos de diálogo, de problematização e de autonomia, tendo em vista à construção de um espaço escolar democrático e participativo. As experiências trazidas à baila no livro manifestam notadamente os traços das teorias de Vigotski (experiência histórico-cultural), Freire (dialogicidade), John Dewey, Anísio Teixeira (pragmatismo) e Montessori (experimentalismo), entre outros educadores humanistas, que estão presentes nos princípios filosóficos e pedagógicos, assim como na materialidade física da escola que se revela na organicidade do tempo e do espaço escolar.

De fato, a Escola Âncora é um campo de experimentação no qual diferentes Pedagogias dialogam entre si, colocando-se à serviço da prática humano-educativa vivenciada naquele lugar. Ao identificar essa realidade, a autora assume sua posição político-educativa em defesa da autonomia e do pluralismo pedagógico.

A experiência relatada nesse livro é inspiradora, pois exemplifica a vivência da mais genuína liberdade e autonomia pedagógica. De um lado, situa o aprendiz como autor de seu próprio processo de desenvolvimento e de aprendizagem, de outro, coloca o ensinante como sujeito organizador dos processos de ensinar e de aprender e, nesses processos, aprende o ensinado e as múltiplas e subjetivas formas de ensinagem.

É um texto claro que capta, através das lentes do pensamento histórico-cultural de Vigotski, o sentido da função do professor que se situa como o organizador do meio socioeducativo, e demonstra que o grande mestre dos processos de ensino-aprendizagem é a própria experiência que se desenvolve nas relações entre as pessoas e os objetos cognoscitivos. Nesse sentido, a narrativa etnográfica desenvolvida pela autora evidencia que na Escola Âncora a Educação é organizada de tal forma que o próprio aluno se educa.

Outro aspecto a ser considerado é que na Escola Âncora habita um modus operandis singular de compreender e de se relacionar com as ciências - e todos os demais saberes presentes na materialidade histórica. Os alunos de maneira livre experimentam a beleza metódica de observar, problematizar, analisar e produzir sínteses através de itinerários de estudos elaborados pelo próprio aprendiz. Algo realmente inovador e que pode inspirar profundas reflexões sobre as tradicionais formas de ensinar e a capacidade de promover e mobilizar a aprendizagem das ciências e suas relações inter e transdisciplinares pelos alunos.

Os processos e vivências da vida comunitária na escola, captado pelo labor etnográfico da autora, revelam as intricadas tramas das relações interpessoais. Tramas bem vividas, porque as questões relacionais são tratadas com respeito e de forma democrática e participativa pelos sujeitos envolvidos. Nesse sentido, o livro ao eleger a relação humana em sua manifestação ética, estética e amorosa como ponto fulcral de suas análises, vêm opor-se frontalmente às vertentes epistemológicas biologizantes e cognitivas presentes na atual paisagem educacional.

É um trabalho elaborado com rigorosidade metódica e que não negligencia às dimensões políticas contidas na prática educativa escolar. Apoiados no pensamento de Vigotski, a autora deslinda de maneira muito simples os complexos conceitos de Signos e Ferramentas, que ao situá-los nas imbricadas “atividades mediadoras” exercem funções de intercessão do ser humano com a realidade social.

Diante de tanta beleza e dignidade desse trabalho de investigação, e da sua relevante contribuição social para esse momento histórico do país, por tocar na questão mais central da educação: o amor e a confiança no ser humano e em seu potencial; eu somente ouço uma voz que ecoa no horizonte das utopias:

 

- De onde estiveres, “nobre camarada”, (nobre autora), que seu pensamento bafeje um outro modo de fazer e de pensar a Educação.

 

Esse livro retrata a função Primeira e Máxima da Educação. Uma educação cheia de vitalidade, porque prenhe da própria vida, uma Educação humanizadora.

Essa é a verdade maior desse livro.

 

 

Joelma Carvalho Vilar

Aracaju, primavera de 2019

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