Educação de bebês: cuidar e educar para o desenvolvimento humano PE100

Educação de bebês: cuidar e educar para o desenvolvimento humano

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José Ricardo Silva; Regina Aparecida Marques de Souza; Suely Amaral Mello; Vanilda Gonçalves de Lima (Orgs.) !@
Educação de bebês: cuidar e educar para o desenvolvimento humano. São Carlos: Pedro & João Editores, 2018. 310p.
ISBN 978-85-7993-543-5
1. Educação de bebês. 2. Cuidado de bebês. 3. O espaço para bebês. 4. Papel do professor de bebês. 5. Autores. I. Título.
CDD – 370

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À margem

 

 

 

Enquanto lia a obra que segue nas próximas páginas, fiz diversas anotações à margem das páginas. Essas anotações, além de ser um modo de funcionamento que tenho em relação às minhas leituras, são uma espécie de diálogos que vou construindo com os autores. Nem sempre os diálogos são convergentes. Algumas vezes também são divergentes – por sorte – e outras tantas são perguntas ou mesmo expressões que refletem o entusiasmo da minha leitura.

Considero ambíguo o sentido daquilo que em geral colocamos “à margem”. Em geral, à margem está aquilo que não foi posto no centro, no domínio. Aquilo que não tem a devida atenção, que está marginalizado. Na história da creche, por exemplo, sabemos muito bem o que significa estar à margem do financiamento. Em 2007, lutamos para que a creche fizesse parte do FUNDEB, financiamento fundamental no âmbito da Educação Básica. O “Movimento das Fraldas Pintadas” ocupou o Congresso e conseguiu derrubar a emenda que propunha a retirada da creche.

O acesso à creche também é um direito à margem dos bebês e das crianças bem pequenas. Atualmente, pouco mais de 30% das crianças de 0-3 anos estão matriculadas em creches públicas e privadas no Brasil, ou seja, estamos longe de alcançar a meta de 50%, proposta pela PNE (2014 – 2024).

Também sabemos que os temas relativos aos cuidados e à educação de bebês permanecem à margem da formação inicial dos professores. A Educação Infantil, de um modo geral, e, especialmente, os bebês são temas ausentes na formação inicial a nível superior. O modelo de formação generalista e o fato de não termos um curso de nível superior com ênfase na docência nada contribui para que os professores possam ir construindo uma atitude profissional que auxilie a compreender a complexidade da pedagogia necessária para a relação educativa na creche.

No entanto, no caso das anotações que fui tecendo à margem da obra, fui entendendo que à margem também está aquilo que desafia os discursos dominantes. Essas anotações reúnem ideias importantes que fui encontrando ao longo dos textos e que podem, em alguma medida, evidenciar qual o credo pedagógico deste conjunto de autores que escrevem sobre os bebês na creche.

Assim, entendo que este livro se organiza a partir de vários conceitos fundamentais e que constroem algumas ideias chaves que podem ser importantes para o professor e pesquisador que se interessa por este campo. Numa difícil tarefa de síntese, abaixo proponho a sistematização destas ideias como forma de agradecimento ao belíssimo trabalho que esse grupo de autores construiu e de partilha do que percebo convergir para a educação de bebês em creche.

 

A agência do bebê

 

Ao contrário do que muito se pensa, os bebês, desde a sua chegada à cena humana, respondem e agem de acordo com o seu entorno. Não são apenas sujeitos reativos, mas ativos também. Eles possuem iniciativa, exploram o seu próprio corpo e, a partir desse modo particular de exploração, constroem um ethos investigativo para compreender o mundo a sua volta. Os bebês sentem, gostam, não gostam e interpelam a cultura.

Os bebês também são portadores do inédito, como muitos autores já destacaram e, por isso, carregam a novidade.

 

A agência do professor de bebês

 

Distante dos modelos clássicos de professor, o que buscamos na construção da docência com bebês é diametralmente oposta. O professor não dá aulas para os bebês, não realiza tarefas mecanicamente e não se preocupa apenas no quanto a criança evacuou ou quanto comeu.

A ideia de professor que estamos buscando ainda está por ser inventada. Ele precisa compreender profundamente os processos de desenvolvimento dos meninos e das meninas para construir o seu modelo de ação, deve harmonizar o processo de individuação do bebê que recém chega a um espaço coletivo e a complexa experiência de ir tornando-se grupo cotidianamente. Precisa reconhecer o valor das atividades de atenção pessoal - tais como o comer, o descansar e a higiene – na relação educativa e, para isso, precisa compreender o seu papel na constituição do vínculo profissional com cada criança.

O professor que aqui nos referimos consegue construir um contexto de aprendizagem para as crianças de tal modo que possa dar presença, muito mais que estar apenas presente. Estamos falando de um professor com alto grau de consciência sobre o seu fazer pedagógico, pois nas palavras e nos gestos de um adulto está a cultura.

 

A vida cotidiana

 

Para construir os sentidos sobre o seu ser e estar no mundo, as crianças vão prestando atenção nas diferentes informações do mundo exterior. Cada interação, cada objeto que explora, vai deixando rastros que, aos poucos, vai tomando forma e ganhando sentido pelas crianças. Por isso, vários campos científicos concordam que para os bebês, dada a sua grande abertura em compreender o mundo a sua volta, basta viver e estar em relação com o mundo para aprender.

Assim, o ritmo da vida cotidiana tem grande importância. O modo como as crianças vivem suas atividades cotidianas são de grande valor pela sua repetitividade e pela sua abertura ao novo. Na repetição, as crianças vivem o prazer do já sabido e, na abertura ao novo, aprendem a colocar em marcha os recursos cognitivos, emocionais, afetivos, motores, sociais que vão construindo.

A linguagem, como um produto da cultura e uma característica do ser humano, constrói-se nas experiências diárias em que o adulto narra o mundo à criança e a criança interpela o mundo para dizer ao mundo o que quer.

 

A organização do espaço e dos materiais

 

Uma das formas do professor intervir é o modo como ele planeja e organiza os espaços e os materiais. A organização dos espaços deve ser no sentido de garantir que os bebês possam criar suas próprias atividades, partindo especialmente do modo como vão explorando e percebendo seu corpo no espaço. Diferente do que se pode imaginar, não necessariamente precisa ser oferecido um espaço exaustivo em cores, sons e materiais, mas, a seleção dos materiais, em si, pode possuir uma riqueza de informações pela variedade da fisicalidade destes.

É importante destacar que um dos modos das crianças participarem de uma determinada cultura é a partir da apropriação que vão fazendo em relação aos objetos desta cultura.

 

O tempo

 

Definitivamente, o tempo dos bebês não cabe nos ponteiros do relógio. Essa medida de tempo que convencionamos pode ser uma violência ao tempo dos bebês. Encaixá-los a rotinas pré-estabelecidas é uma das formas de iniciação ao tempo do capital, como já advertia Felix Guatarri, no livro Guarderias: experiencias, descubrimientos, perspectivas, de Liane Mozère e Geneviève Aubert, em 1985. É preciso dar tempo para os bebês serem bebês. Mais: é preciso esperança de esperar o tempo dos bebês.

Este livro é um presente para todo professor e pesquisador que tem interesse em saber mais sobre educar bebês em espaços coletivos. Além de nos oferecer uma lente de compreensão sobre o humano e a pedagogia, a lente da Teoria Histórico Cultural, mais além, oferece-nos, com muita gentileza, a possibilidade de percorrer por temas caros para aqueles que estão próximos dos bebês e das creches.

Agradeço o privilégio de abrir este livro e desejo que o leitor construa, à margem da obra, diálogos curiosos, interrogantes, convergentes, divergentes e emotivos, que descubra que à margem também se pode produzir novos enredos, novas histórias, novos mundos.

 

Paulo Sérgio Fochi

Outono de 2018

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