A escuta como lugar do diálogo: Alargando os limites da identidade PE48

A escuta como lugar do diálogo: Alargando os limites da identidade

Ref.: PE48 Compra Segura

Autor Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso !@
Ano de Publicação 2012
Páginas 364
Tamanho 16 x 23 cm
ISBN 978-85-7993-113-0

R$ 35,00

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Estamos por demais viciados em andar na estrada da identidade. Por essa lógica, sou eu que tenho a iniciativa de ir ao encontro do Outro. O diálogo é visto como sendo da minha iniciativa. E me vejo como incompleto, e por isso vou ao encontro do outro pra me completar. Essa lógica é torta, e não dá conta de responder sobre a realidade da existência e das interações. É preciso inverter essa forma de pensar. Por isso Ponzio nos alerta: “A Identidade é uma armadilha”. A constituição do Eu sempre é concessão do outro. A iniciativa do diálogo é sempre do outro. E eu vou me constituindo  no ato responsivo, fora de mim mesmo, mesmo que ao meu alcance. Vou me constituindo nos limites entre eu e o outro, vou existindo pelas ofertas do Outro. Nesse jogo a minha identidade é uma atividade coletiva, cujo ponto de partida é sempre o outro. Bakhtin afirma que o “conteúdo do psiquismo ‘individual’ é, por natureza, tão social quanto a ideologia e, por sua vez, a própria etapa em que o indivíduo se conscientiza de sua individualidade e dos direitos que lhe pertencem é ideológica, histórica, e internamente condicionada por fatores sociológicos” (1986, p. 58).

Cabe ao outro me fazer viver, existir, e para isso tem que me incompletar. Ele tem essa atividade como responsabilidade única e pessoal. Ele precisa me responder, se dirigir a mim como respondente sempre. Tarefa do outro no diálogo é a resposta. Precisa romper esse limite identitário fechado, pronto e estabelecido por mim. Esse rompimento vai permitir o alargamento do meu ser por um outro ser que também se alarga nesse mesmo movimento, pois que também é penetrado profundamente por um eu ativo e respondente. É a interação de “consciências em devir”, em um processo de alargamento, de invasão mútua. E quando penso em invasão, penso em uma ação que não é permitida pelo eu, e sim realizada “apesar do eu”, como afirma Ponzio. Minha existência tem que ser vivida na incompletude. Desse modo eu não busco o outro pra me completar. Essa não é uma prerrogativa minha. O que eu quero é ser completo, fechado, pronto. Ser Eu. Um ser pronto e acabado. Mas há um movimento invasivo, dialógico que vem do exterior. Sempre o movimento que rompe, que destrói, é um movimento do outro. Meu movimento é de fechamento, de monologização, de estabilização. O Outro é quem me busca para me incompletar, para instabilizar, e desse modo garantir minha existência. Ele tem um excedente sobre mim. E assim ele me alarga, ao me invadir. Pois apenas minha morte me completa. A vida é o lugar da incompletude. A morte é que traz a completude. E o movimento de incompletude é que me alarga, me faz crescer, amplia minhas possibilidades e meus horizontes. Me faz um ser melhor.

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