A aula como acontecimento PE10
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A aula como acontecimento

Ref.: PE10 Compra Segura

Autor Jo√£o Wanderley Geraldi !@
Ano de Publicação 2015
P√°ginas 208
Tamanho 16 x 23
ISBN 978-85-7993-021-8

R$ 45,00 R$ 35,00 Em até 3x de R$ 11,67 sem juros

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Remetendo √† aprendizagem e ao processo de ensino, circunscrevo aquela ao ambiente escolar, independentemente do n√≠vel de ensino: por  isso  os  exemplos  e  os  coment√°rios  percorrem  diferentes momentos da escolariza√ß√£o, sem qualquer preocupa√ß√£o em definir de antem√£o  uma seria√ß√£o  dos  problemas  a  serem  enfrentados  pelo aprendiz  e  pelo  professor.  Uma  reflex√£o  √ļtil  num  momento  de escolariza√ß√£o n√£o deixa de ser √ļtil em outras circunst√Ęncias. De fato, n√£o acredito que em termos de linguagem um caminho √ļnico possa ser defendido, porque na l√≠ngua tudo √© complexo: aprende-se a l√≠ngua num processo de vai e vem cont√≠nuo; as reflex√Ķes podem ser mais ou menos  aprofundadas,  dependendo crucialmente  dos  objetivos  mais imediatos da constru√ß√£o de compreens√Ķes ou da elabora√ß√£o de textos dentro das suas condi√ß√Ķes discursivas de produ√ß√£o.

Na produ√ß√£o de todos  estes textos sempre tive um interlocutor privilegiado: o professor. Ali√°s, quase todos eles resultam de encontro com  professores,  cujas  contribui√ß√Ķes,  com  perguntas,  cr√≠ticas  e coment√°rios foram retomadas em textos posteriores: alguns dos temas  ou focos  mais  precisos  s√£o  palavras  alheias  tornadas  pr√≥prias  pelo esquecimento da origem. Como salientam v√°rios textos de Bakhtin, em termos  de  linguagem  n√£o  h√°  palavra  pr√≥pria,  porque  todas  as palavras s√£o patrim√īnio comum, cada uma delas sobrecarregada de vozes  e  sentidos.  Mas  √©  com  elas  que  constru√≠mos  compreens√Ķes,rearranjando os j√° ditos para fazer surgir o novo: em linguagem, a repeti√ß√£o  √©  j√°  outro  enunciado.  Que  o  diga,  por  exemplo,  o  Dom Quixote de Pierre Menard (Borges): repetindo Cervantes, n√£o diz o mesmo que Cervantes disse.

Os  principais  pontos  de  partida  que  orientam  os  textos  e  que podem constituir o quadro de pressupostos assumidos previamente, nem  sempre  explicitados,  podem  ser  enumerados  em  enunciados simples:

1.  A  linguagem  √©  uma  atividade,  e  as  l√≠nguas,  produtos  desta atividade, n√£o s√£o sistemas fechados e acabados. Porque usadas, as l√≠nguas est√£o sempre em constru√ß√£o.

2.  A  escola  √©  um  lugar  de  aprendizagem  e  o  ensino  a  ela  se subordina, por isso este n√£o pode definir suas seq√ľ√™ncias, fixar um curr√≠culo (um caminho) e determinar desde sua organiza√ß√£o o que e o quando algo deve ser aprendido. Quem est√° aprendendo √© um sujeito falante, produtor de compreens√Ķes, com ritmos, interesses e hist√≥ria.

3.  A  linguagem  n√£o  se  presta  apenas  √†  comunica√ß√£o.  √Č  nas intera√ß√Ķes com os outros que ela se materializa, n√£o s√≥ a si mesma, mas tamb√©m aos sujeitos que por ela se constituem, internalizando formas  de  compreens√£o  do  mundo,  construindo  sistemas  √Ęntropo-culturais  de  refer√™ncia  e  fazendo  com  que  sejamos  o  que  somos: sujeitos  sociais,  ideol√≥gicos,  hist√≥ricos,  em  processo  de  constitui√ß√£o cont√≠nua.

Tentando  radicalizar  estes  tr√™s  pressupostos  (ou  princ√≠pios),  os textos refletem minhas posi√ß√Ķes a prop√≥sito das rela√ß√Ķes de poder que se desvelam na sociedade quer pela discrimina√ß√£o ling√ľ√≠stica, quer  pela  imposi√ß√£o  de  normas,  cujos  sentidos  v√£o  muito  al√©m  das necess√°rias fixa√ß√Ķes provis√≥rias das formas. A introdu√ß√£o do conceito de erro ou a defesa de um purismo ling√ľ√≠stico, que √†s vezes beira ao rid√≠culo, n√£o s√£o inocentes. Revelam outras rela√ß√Ķes sociais.

A defesa intransigente do direito √† express√£o n√£o significa assumir um papel de testemunha desta express√£o. Defendo que o professor, como um outro do aluno, torne-se deste um co-enunciador, um co-autor de textos, aumentando a experi√™ncia ling√ľ√≠stica do aluno pelo conv√≠vio com a experi√™ncia do professor e dos autores trazidos √† roda de conversa que √© cada aula de l√≠ngua materna.

Por  fim,  √©  preciso  acrescentar  que  este  livro  tem  como  seus antecedentes O Texto na Sala de Aula (Editora √Ātica), Portos de Passagem (Editora Martins Fontes) e Linguagem e Ensino (Editora Mercado de Letras), dos quais √© uma continuidade, com retomadas que pretendem aprofundar quest√Ķes j√° tratadas ou enfrentar quest√Ķes n√£o focadas nos livros  anteriores.  Como  cada  um  dos  textos  foi  escrito  de  forma independente, algumas repeti√ß√Ķes permaneceram para dar unidade e completude √† argumenta√ß√£o.

Barequeçaba, outubro de 2010.

Jo√£o Wanderley Geraldi

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